Projeto AMIGOS

Somos um grupo de voluntários com o propósito de reunir pessoas envolvidas com a obra missionária, visando à promoção de ações sociais.

Uma mensagem de esperança para quando tudo está mal

O que devemos fazer quando tudo está mal? Por mais estranho que soe, o caminho é fazer o contrário do que dá vontade.

Como assim?

Viver o evangelho é nadar contra a correnteza. Logo, quando a vontade é reclamar, a proposta da cruz é: “Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus” (1Ts 5.18). Devemos sempre ler a Bíblia com atenção nos menores detalhes. No caso, leve em conta a palavra todas. Se a questão é dar graças em todas as circunstâncias, o que Paulo nos ensina é que devemos ser gratos a Deus também quando as coisas vão mal.

Estranho, não é? Mas, se pararmos para pensar, o evangelho é mesmo um pouco “esquisito”. Deus se fazendo homem? O Criador se voluntariando para sofrer por quem não merece? O Todo-poderoso perdoando assassinos, ladrões e corruptos? Quem entende? Contudo, quando refletimos em que “Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam” (Rm 8.28), começamos a perceber que, mesmo quando as circunstâncias são más, tudo visa ao nosso bem.

“[Deus] faz coisas grandiosas, acima do nosso entendimento” (Jó 37.5). Acima do nosso entendimento, por exemplo, está o fato de que as tribulações podem gerar benefícios. O apóstolo Paulo diz que não nos gloriamos somente na esperança da glória de Deus, “mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança” (Rm 5.3-4). Ou seja, quando tudo vai mal, Deus está fazendo crescer em nós perseverança, caráter aprovado e esperança. É o que diz a Bíblia.

Mas o que podemos fazer enquanto tudo vai mal? É o próprio Paulo quem nos diz: “Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração” (Rm 12.12). A paciência é um dos segredos. E “paciência”, nas acepções do dicionário, é: a) a capacidade de tolerar contrariedades, dissabores, infelicidades; b) o sossego com que se espera uma coisa desejada.* Assim, o cristão que tem fé demonstra tolerância com os problemas, permanece sossegado na adversidade e espera pacientemente Deus decretar o fim do período de provações.

Se a atitude do cristão é fazer o contrário do que dá vontade, logo, na pobreza devemos doar. Na tristeza, louvar. No choro, agradecer. No sofrimento, adorar. Na decepção com o próximo, amar. E, sempre, com uma certeza:

Tudo isso é para o bem de vocês, para que a graça, que está alcançando um número cada vez maior de pessoas, faça que transbordem as ações de graças para a glória de Deus. Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno. 2 Coríntios 4.15-18

Fazemos festas surpresas para quem amamos, damos presentes fora de datas especiais para entes queridos, deixamos bilhetinhos carinhosos para nosso cônjuge. Eles não sabem que serão surpreendidos. Mas nós sabemos. Deus também gosta de nos fazer surpresas. E elas virão. Hoje, tudo vai mal. Amanhã, a surpresa nos espera. Ainda que o futuro esteja acima de nosso entendimento, confiamos que Deus fará coisas grandiosas, que atuam para o nosso bem. Pois “olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam” (1Co 2.9).

Por Maurício Zágari em “O fim do sofrimento” / Fonte: Mundo Cristão

Deixe um comentário »

Ame o próximo, ame a si mesmo

“’Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Esse é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo”’ (Mateus 22:37-39). A maioria de nós compreende que devemos amar a Deus em primeiro lugar e também a nosso próximo, mas não notamos a última parte da mensagem: devemos amar nosso próximo como a nós mesmos. Jesus indica que, antes de podermos realmente amar os outros e fazer diferença na vida deles, devemos amar a nós mesmos. Essa mensagem certamente pode ser usada para justificar o egoísmo, mas a realidade é simplesmente o oposto. Você precisa primeiro reservar um tempo para ser saudável de modo que, então, seja capaz de impactar o mundo ao reder. De fato, enquanto não aprender a se amar, nunca poderá de fato aprender a amar e cuidar dos outros da maneira como Deus quer que faça. Não se pode ensinar a alguém o que não se aprendeu.

VALE A PENA REFLETIR: Que passo você pode dar hoje para melhorar a sua saúde física, emocional e espiritual?

Por Kerry e Chris Shook

2 comentários »

Façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam

“Façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas.” Mateus 7.12 

A palavra cristão significa “como Cristo”. No século 1, cristão não foi um nome escolhido pelos seguidores de Jesus. Pelo contrário, foi um nome dado a eles por outras pessoas. Os crentes baseavam seu estilo de vida nos ensinamentos de Cristo, por isso a melhor maneira de descrevê-los era chamá-los de cristãos. E se os cristãos fossem realmente como Cristo? A ordem para amar é fundamental nos ensinamentos de Jesus. De fato, no texto de Marcos 12.29-31, Jesus disse que o maior mandamento é amar a Deus, e o segundo é amar ao nosso próximo. Esses mandamentos superam todos os outros, pois tudo o mais flui a partir deles. O amor começa com uma atitude, o que, por sua vez, leva a atos de serviço. “Em que posso ajudá-lo?” é uma ótima pergunta pela qual começar.

Hoje é um bom dia para expressar amor ao nosso próximo.

Em minha opinião, isso começa com aqueles que estão mais próximos de nós — primeiro, nosso cônjuge, depois nossa família — e então se espalha pelo mundo.

“Não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade.” 1 João 3.18

Por Gary Chapman em “Promessas de Deus para abençoar seu casamento” Fonte: Mundo Cristão

Deixe um comentário »

Como a igreja pode combater o racismo?

Não adianta fechar os olhos. O racismo existe e está presente em toda a sociedade, inclusive no meio cristão. Como a Igreja Evangélica de hoje pode abordar e combater tamanho mal?

A Bíblia é clara no combate à discriminação de qualquer espécie. Em Tiago 2.1, há o alerta: “Meus irmãos, como crentes em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, não façam diferença entre as pessoas, tratando-as com parcialidade”.  “No texto de Atos dos Apóstolos, a Igreja de Antioquia – uma comunidade de fé majoritariamente helenista –, nos dá uma bela lição sobre a igualdade racial e o empoderamento das etnias na comunidade nascente (At 13).

O Pentecostes posto em prática, diferentemente da Igreja de Jerusalém, liderada por hebreus ( At 15). Podemos destacar dois escritos de Paulo, o apóstolo das etnias. Ele escreveu uma linda Carta a Filemon, Áfia e Arquipo em que nela propõe a superação da lógica escravista. Ainda, na Carta aos Gálatas (Gl 3.24-29), Paulo chega a ir mais adiante ao romper com a estrutura hierárquica greco-romana, e de qualquer outra sociedade, que fundamenta o seu descaso pelo outro por motivações racial (judeu ou grego), social (escravo ou livre) e de gênero (homem ou mulher)”, explicou o reverendo Cláudio Soares, da Primeira Igreja Presbiteriana Unida, em Vitória.

“A Igreja precisa se reconhecer racista. Louvo em Deus por fazer parte de uma igreja que se reconheceu e, por isso, em assembleia geral, aprovou um pronunciamento intitulado: ‘Pedido de perdão aos negros do Brasil’. Destaco o trecho seguinte: ‘Pedimos perdão por considerarmos inferiores a sua religião, a sua religiosidade, a sua música, os seus símbolos, ao seu modo de viver. Pedimos perdão a vocês que são cristãos e cristãs, a vocês que são muçulmanos, a vocês que são umbandistas, a vocês que seguem outras tradições de matriz africana, a vocês sem qualquer religião ou fé, a vocês todos, como um povo, a quem devemos amar como nos ama Jesus Cristo’”, acrescentou o reverendo.

Uma forma do pastor combater o racismo na Igreja é não tirá-lo de discussão: “Somos desafiados a estar atentos com essa temática, não tirar o racismo do debate. Muitas pessoas são contra as cotas raciais, mas para quem viveu ou vive a dor do racismo, que sabe que os negros viveram abandonados nos guetos, políticas como essas são necessárias”, afirmou. Longe de ser uma questão resolvida ou enterrada no passado, o racismo ainda está presente na sociedade. E a Igreja tem um papel fundamental nessa questão: ela precisa se levantar como atalaia da verdade e ser sal e luz, ensinando que o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus, nesse grande campo missionário. 

Fonte: Comunhão

Deixe um comentário »

8 Virtudes de uma pessoa correta que quase chegou lá

Quando Jesus ia saindo, um homem correu em sua direção e se pôs de joelhos diante dele e lhe perguntou: “Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Respondeu-lhe Jesus: “Por que você me chama bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus. Você conhece os mandamentos: “Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não enganarás ninguém, honra teu pai e tua mãe””. E ele declarou: “Mestre, a tudo isso tenho obedecido desde a minha adolescência”. Jesus olhou para ele e o amou. “Falta-lhe uma coisa”, disse ele. “Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga- me.” Diante disso ele ficou abatido e afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas. (Marcos 10:17-22)

Minhas últimas conversas pastorais me fizeram recordar este episódio descrito no Evangelho de Marcos, o encontro de Jesus com este Jovem rico. A frustrante experiência do “quase lá”. Confira.

As várias virtudes de uma pessoa correta:

a) Vai até a pessoa correta: “Jesus…Bom Mestre”.

b) Vai na direção correta: “correu em sua direção”.

c) Tem uma atitude correta: “pôs-se de joelhos diante dele”.

d) Faz a pergunta correta: “que farei para herdar a vida eterna?”.

e) Diálogo correto: “Por que você me chama bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus. Você conhece os mandamentos?”.

f) Uma educação religiosa correta: “Mestre, a tudo isso tenho obedecido desde a minha adolescência”.

g) Ouve a afirmação de confronto correto: “Falta-lhe uma coisa”.

h) Recebe o desafio prático, em seu caso, correto: “Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres… Depois, venha e siga-me”.

Confronto de lógicas: o que faço com minhas posses, ideias, valores, herança?

Para alguns, a vida eterna é resultado de adição. Mantenho tudo o que tenho e adiciono algo mais, ou mantenho tudo o que acredito e passo acreditar em algo a mais. Dito de uma outra forma, continuo fazendo tudo o que faço e passo a fazer algo a mais, ou ainda, continuo celebrando minhas ideias, minha forma de pensar e adiciono um outro pensamento sem que isso comprometa aquilo que penso.

Sua reação ao confronto: “Diante disso ele ficou abatido e afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas.”

Entre ouvir a indicação do bom mestre e manter as suas posses, preferiu a segunda opção. O resultado de uma resposta inadequada a Cristo sempre nos deixa:

a) Abatido.

b) Triste.

c) Nos leva ao afastamento.

O desafio de seguir a Cristo

a) Implica em saber ouvir.

b) Confiar no bom mestre, apesar do desafio que possa significar Sua palavra a nós.

c) Aprender a relativizar nossas posses, convicções, ideias estabelecidas, preferências, saberes.

d) Admitir a parcialidade e insuficiência de nossas conclusões.

e) Estar disposto a deixar, aquilo que o bom mestre nos indica como um obstáculo para segui-lo.

Muitos, com quem converso, os vejo (quando não externamente pelo menos internamente) tristes, abatidos ou afastando-se do bom mestre. O que será que o bom mestre lhes está pedindo para deixar e que eles se recusam a deixar? Que tipo de posse se tornou um obstáculo para seguir ao bom Mestre?

Tenho me encontrado com vários que estão vivendo uma vida do “quase lá”. Em público, com sinais evidentes de “sucesso”, fazendo muitas coisas corretas, mas a realidade do coração indica algo completamente diferente. Talvez não estejam levando muito a sério o desafio do Bom Mestre. Existe, porém, outra forma de responder a este desafio. Pedro, quando perguntado por Jesus se não queria deixá-lo, respondeu: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna?” (João 6.68).

Como está nossa vida em relação ao bom Mestre? Será que estamos vivendo um “quase lá”? Se olharmos para nosso coração, deixando de lado as muitas coisas corretas que temos feito na vida pública, que realidade encontramos? Tristeza? Abatimento? Afastamento?

Um passo na direção correta fará toda diferença em nossa vida!

• Ziel Machado é pastor da Igreja Metodista Livre da Saúde em São Paulo. Por mais de 30 anos serviu a ABUB e a IFES em diferentes funções. Fonte: Revista Ultimato

Deixe um comentário »

Saúde emocional e maturidade espiritual: o que a igreja pode fazer?

O encontro com Jesus e o relacionamento construído que se segue nos impacta de maneira profunda e tem implicações em nosso modo de pensar, sentir, viver. Quando nos debruçamos sobre a experiência da conversão, percebemos a amplitude das transformações propostas.

Mudanças à vista

No processo da conversão nos deparamos com diversos componentes de crescimento na jornada da maturidade espiritual, como a crença e a convicção, o arrependimento, a confiança e a certeza do perdão, o compromisso e a aliança com Deus, o batismo, a ação do Espírito Santo e nossa comunhão na comunidade cristã, para crescimento e aprofundamento.

Na experiência da conversão de nossos corações e mentes a Cristo, há profunda mudança e reorientação de pensamentos, convicções e o desenvolvimento de maior clareza de compreensão através da experiência de que a verdade que nos liberta. O processo de conversão como caminhar na verdade e na luz é básico para o processo de cura e transformação. A experiência da conversão não pode ser confundida como uma simples reforma de conduta e sim como novo nascimento, transformação profunda das pequenas coisas, das ações, escolhas, significados, pautados na identidade em Cristo.

No amor de Deus, enraizados na identidade de filhos amados do Pai, tocados pelo Espírito Santo, damos passos na direção do amadurecimento espiritual, em uma jornada prática e amorosa de fé. Na liberdade deste amor, somos curados de nossas feridas, agraciados com dons, talentos, sentido para viver e missão para cumprir, amparados e direcionados pelo próprio Pai.

Somos todos frágeis

No caminho de maturidade espiritual e emocional, quando anunciamos o arrependimento e a conversão de nossos maus caminhos, estamos dizendo que o Evangelho de Jesus é a boa notícia que nos traz transformação. Na dinâmica de nosso relacionamento com Deus e com a comunidade, seguimos crescendo e reconhecendo em nós as fragilidades e isso faz com que tenhamos que entrar em contato com nossas emoções e afetos. Vamos diariamente ao encontro de Jesus ansiando pelo toque que traz a redenção tanto de nossas emoções quanto de nossa mente, em nossos pensamentos. Ao reconhecer as fragilidades e confessar nossas incapacidades e dependência, somos fortalecidos no poder de Deus e na identidade de filhos amados, desfrutando de alegria e paz.

Na confissão, saio do lugar de vítima e assumo minha responsabilidade, tomando uma decisão consciente e afetiva de caminhar em outra direção, para longe da escuridão e na direção da luz, da maturidade, perdão e amor. Deus deseja que sejamos sinceros, transparentes, nomeando a realidade para que, com humildade, possamos reconhecer dentro de nossas circunstâncias nossos pensamentos e emoções. Olhando para Ele, conseguimos olhar para nós mesmos com graça e somos fortalecidos para caminhar na direção do crescimento espiritual. O Espírito da verdade nos conduzirá (Jo 16.13). J.I.Packer afirma que:

“A conversão é um complexo processo que envolve pensar e repensar, duvidar e vencer as dúvidas, autorreflexão e admoestação, luta contra sentimentos de culpa e vergonha e o foco no que significa realmente amar e seguir a Deus.”

Existe uma conexão entre saúde emocional e maturidade espiritual e, portanto, dificilmente nos tornaremos maduros espiritualmente se não passarmos por um processo de amadurecimento emocional. No campo das emoções, sabemos que são multifatoriais as influências que recebemos na formação de quem somos, como as experiências vividas, o ambiente, fatores genéticos e de personalidade, por exemplo. Nossa espiritualidade e caminhada de fé precisam ser integradas: unir mente e coração. Precisamos observar a dicotomia prática que vivemos, corrigir a rota e integrar estas realidades indissociáveis. Nossos afetos e sentimentos devem ser identificados e tratados à luz de Cristo, para que nossas emoções passem pelo processo de redenção e cura.

Comunidades que apoiam e fortalecem

É neste processo de renovação da nossa mente, coração e emoções que somos transformados de maneira individual e coletiva. É um exercício diário de rendição de nosso sentir e pensar ao senhorio de Cristo, mesmo em meio às nossas limitações humanas. O contexto e o papel da comunidade de fé são fundamentais nesta caminhada de maturidade espiritual e emocional. Nosso crescimento acontece no relacionamento.

A jornada de conversão e santificação é pautada pela ética cristã baseada na metanóia, a transformação da mente e na encarnação das emoções, sentimentos, afetos. Este processo envolve um olhar atento tanto para o ponto de partida quanto para a direção do ponto de chegada. É importante saber de onde viemos e para onde estamos caminhando. Desta forma, poderemos, à luz da Palavra e sob direção de Deus, ressignificar nossos afetos, tomar decisões, nos engajar em disciplinas espirituais, cultivar relacionamentos de amizade na comunidade da fé, nos comprometer na missão, etc. Esta nova vida nos propõe uma caminhada de promoção de justiça, paz, perdão e reconciliação.

Em nosso contexto, nossas comunidades cristãs estão lotadas e muitos celebram os “novos convertidos”, que a partir de sua experiência inicial e decisão pelo Evangelho passam a integrar o “rol de membros” da comunidade. Mas com o tempo, percebemos que tantos tornaram-se “adeptos” e não discípulos engajados no processo transformador e frutífero da conversão, santificação e participação no Corpo de Cristo.

Há uma necessidade urgente de discipulado intencional, pois muitas vezes nos ocupamos em preencher as agendas destes que chegam a nossas comunidades com programações e eventos que pouco tem a ver com a caminhada cristã diária, que se propõe a ser relacional com Deus e uns com os outros. Precisamos de atenção para não alimentar a superficialidade ou as dicotomias tão presentes em nosso dia-a-dia. Precisamos incentivar e nutrir a vida compartilhada, coração aberto, terreno para transformações profundas e longitudinais. As comunidades estão cheias, mas não enxergamos necessariamente pessoas em crescimento, mudança de vida prática. A experiência da conversão propõe um novo caminho, restauração, redenção, libertação do mal, recomeço na companhia de Deus e na comunidade.

Amor que transforma e confirma a filiação

Tudo isso proporciona um caminho de saúde emocional e vida, ainda que na jornada neste mundo estejamos sujeitos a lidar com tantas circunstâncias que contém sinais de morte.

O texto de Romanos 5 nos relembra do amor de Deus que nos transforma mesmo em meio à sentimentos de tristeza, raiva, amargura, sofrimento e até cinismo, apatia e desespero. Conhecemos este amor não apenas através da cognição, do pensamento, mas também através dos nossos afetos e somos encorajados na direção da esperança. Enquanto reordenamos nossos afetos, o Espírito Santo derrama seu amor em nossos corações e isso nos leva à prática da gratidão. Romanos 5.3-4 nos apresenta o contexto do sofrimento, a prática da perseverança, a formação do caráter e da maturidade e uma caminhada de esperança Nele.

O toque de Deus em nosso encontro e caminhada com Ele, nos lembra diariamente de que nossa identidade como filhos amados e somos transformados. Através do seu amor e sua graça, nos oferece recomeço, um novo jeito de ser gente, de nos relacionar e trabalhar – sinalizando para o mundo, através da esperança a nós doada, um caminho de redenção em todas as esferas da vida.

• Karen Bomilcar trabalha como Psicóloga Clínica Hospitalar. É mestre em Teologia e Estudos Interdisciplinares – Regent College/UBC (Canadá). Atualmente reside em São Paulo (SP), integra a equipe de liderança do Fórum Cristão de Profissionais (IBAB-SP) e também dedica seu tempo à música, literatura, cuidado pastoral e cultivo de amizades, especialmente ao redor da mesa. Fonte: Ultimato

Deixe um comentário »

Uma voz feminina na Páscoa

“Enquanto o cristianismo convertia o mundo, o mundo convertia o cristianismo”

“Enquanto o cristianismo convertia o mundo, o mundo convertia o cristianismo, fazendo-o mostrar o natural paganismo do homem”. Essa frase do historiador Will Durant retrata bem o que ocorria no século IV, uma época marcada por uma série de eventos que foram desde crise política até mudanças sociais e religiosas no Império Romano.

Nessa época, a situação religiosa se inverteu e eram os pagãos que tinham os bens confiscados e eram proibidos de realizar sacrifícios, consultar oráculos e visitar seus templos. Porém, a igreja cristã já não era mais a mesma igreja primitiva; além de mudanças na administração e no culto, ocorreram alterações nas doutrinas e inclusão de práticas estranhas ao Novo Testamento.

Quando Helena, a mãe do imperador Constantino, empreendeu uma peregrinação à Terra Santa em busca de relíquias, ela cooperou para a divulgação da prática da peregrinação, com objetivos espirituais, e da veneração de relíquias, como operadoras de curas e milagres.

Uma mulher que quis dar materialidade à sua fé

Os primeiros peregrinos queriam seguir os passos de Cristo, dos profetas e dos apóstolos. Entre eles, encontrava-se uma mulher, Egéria, que queria dar materialidade à fé que tinha.

Egéria ou Etéria era provavelmente natural do antigo território da Gallaecia romana, no noroeste da Espanha, atual região autônoma da Galiza. Possuía ascendência nobre, profunda religiosidade, ilimitada curiosidade e notável cultura. Movida pelo desejo de conhecer os lugares bíblicos, viajou para a Terra Santa, percorreu os locais sagrados e visitou homens e mulheres ascéticos do deserto, atraída por seu excelente modo de vida.

Além de peregrinar, escreveu um diário narrando suas viagens. Uma cópia de seu relato da viagem pelo Sinai e da vivência litúrgica em Jerusalém foi preservado até os nossos dias e possibilitou conhecer um pouco da prática de culto da época.

Egéria descreveu precisamente as liturgias da igreja do século IV

Quando chegou a Jerusalém, onde ficou por cerca de três anos, Egéria participou da vida da igreja local e, com impressionante poder de observação, descreveu suas liturgias. Ela registrou a assiduidade dos cristãos aos cultos que eram muitos. Para eles, o domingo era realmente o dia do Senhor, quando se levantavam bem antes do amanhecer para passar horas na igreja e para lá retornavam três ou quatro vezes ao dia.

Egéria relatou toda a celebração dos dias da Páscoa, informando que, ao invés de quarenta dias, em Jerusalém respeitavam-se oito semanas. Como não se jejuava nos sábados e domingos, exceto no sábado das vigílias pascais, sobravam quarenta e um dias de jejum, que era chamado de eortae, ou seja, Quaresma.

Durante toda a Quaresma, os ofícios eram diários, iniciando-se ao domingo, no cantar do galo, com a leitura da passagem referente à Ressurreição do Senhor, seguido de procissão à Igreja Maior, chamada Martyrium, situada no Gólgota, onde se cumpria o ritual costumeiro do domingo e, depois, o regresso para a Anastasis, entoando-se hinos.

Na quinta-feira, anterior ao dia da Crucificação, logo ao amanhecer, a multidão já se dirigia ao Getsêmani e lá orava, cantava e lia a passagem das Escrituras sobre a prisão de Cristo, permanecendo a noite inteira em vigília: orando e chorando. Ao amanhecer, dirigiam-se à cidade entoando hinos. Na hora sexta, caminhavam até o local da crucificação, onde até a hora nona liam todos as passagens bíblicas sobre a crucificação do Senhor. Ouçamos a voz da própria Egéria:

4. E, aproximando-se a sexta hora, caminham em direção à Cruz, quer chova quer faça calor, porque o lugar fica ao ar livre; é como que um pátio bem grande e extraordinariamente belo, situado entre a Cruz e a Anástasis. Aí, pois, é que se reúne o povo todo, de tal forma que nem se pode abrir caminho.

5. Coloca-se a cátedra episcopal diante da Cruz e, da sexta até a nona hora, nada se faz senão leituras, da seguinte maneira: lê-se, primeiro, tudo quanto nos salmos diz respeito à Paixão; leem-se, a seguir, nos Apóstolos – ou nas Epístolas ou nos Atos dos Apóstolos – todas as passagens que se referem à Paixão do Senhor; e também nos Evangelhos se leem os trechos da Paixão. Leem-se, em seguida, nos profetas, as passagens onde predisseram que o Senhor haveria de sofrer, e novamente os Evangelhos nos trechos referentes à Paixão.

6. Assim, desde a hora sexta até a hora nona, fazem-se continuamente leituras ou se recitam hinos para mostrar a todo o povo que tudo quanto os profetas predisseram da Paixão do Senhor realmente aconteceu, como se vê mui claramente tanto pelos Evangelhos quanto ainda pelos escritos dos Apóstolos. E assim, durante as três horas, ensina-se ao povo que nada se fez que não tenha sido primeiro anunciado e nada se anunciou que se não tenha completamente realizado. E sempre se intercalam preces – e essas preces são próprias para o dia.

7. A cada uma das leituras ou preces, tal é o sofrimento e tais são os lamentos de todo o povo que chegam a causar espanto; não há ninguém nem grande, nem pequeno, que, nesse dia, durante essas três horas, não se aflija enormemente — e é impossível calcular tamanha aflição — pelo muito que o Senhor padeceu por nós.”

É comovente como os cristãos da época celebravam todos esses dias santos, celebrar a crucificação e ressurreição de Cristo nos locais onde ocorreram, com certeza, torna a fé mais viva. Pode-se observar, porém, nas liturgias daquela época, as mudanças efetuadas em comparação às reuniões simples narradas nos Atos dos apóstolos e pode-se refletir também no valor maior dado à Crucificação. A comemoração da morte de Cristo ultrapassava a comemoração de sua Ressurreição e Vida, mas cremos que: “Se Cristo não ressuscitou é vã a nossa fé”. (1Coríntios 15.17).

Notas:
1. Igreja Maior, Anastásis e a Cruz eram três espaços hoje pertencentes à Basílica do Santo Sepulcro. A construção de Constantino no local da morte de Cristo constava de: Anástasis, Calvário e Martyrium. Anástasis (ressurreição) era a Igreja do Santo Sepulcro; Calvário, que a autora chama de Cruz, era uma capelinha por detrás da elevação onde se encontrava uma cruz e Martyrium (martírio) era a igreja maior, uma basílica suntuosa.

2. Etéria. Itinerarium, in: BECKHÄUSER, Alberto (Com.). Peregrinação de Etéria: Liturgia e catequese em Jerusalém no século IV. Tradução, introdução e notas de Maria da Glória Novak. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2004, parte II, 37.4-7.

• Rute Salviano é licenciada em Estudos Sociais, bacharel em Teologia (especialização em Educação Cristã), mestre em Teologia (concentração em História Eclesiástica), pós-graduada em História do Cristianismo pela UNIMEP e autora de Uma Voz Feminina na Reforma, Uma Voz Feminina Calada Pela Inquisição e Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro, publicados pela Editora Hagnos. Fonte: Revista Ultimato

Deixe um comentário »

Como contar a história da Páscoa para crianças

Falar sobre a Páscoa com os filhos menores é um tremendo desafio. Existem muitos conceitos que ainda não estão totalmente elaborados na mente dos pequenos, como morte, pecado, Jesus Deus e Homem… Mas aos poucos eles começarão a entender e os pais terão outras oportunidades para desenvolver melhor esses conceitos. Neste artigo quero ajudar você a como contar a história da Páscoa aos seus filhos. Para entender o motivo da morte de Jesus, vamos começar pela origem do pecado na criação e queda do homem. Se seu filho for bem pequenino, divida esse texto para ser trabalhado em três momentos: criação, queda e redenção. Que o Senhor nos ajude a criar nossos filhos no Caminho, andando lado a lado. Vamos lá!

Hoje eu quero contar para você uma história muuuuuito especial, a história da Páscoa. O que você já sabe sobre ela? (Conversem sobre o que seu filho já sabe. Lembre-se que a repetição é uma ferramenta necessária para o ensino dos pequenos).

Vamos começar desde o comecinho e saber por que temos a Páscoa? (Abra sua Bíblia no livro de Gênesis).

No comecinho da Bíblia Deus disse que tudo era escuro e não existia nadinha aqui na terra. Então Deus criou todas as coisas. (Peça para seu filho falar algumas das coisas que Deus criou e cite os nomes de Adão e Eva, como as primeiras pessoas criadas por Deus).

Você acha que Adão e Eva eram felizes? Sim. Eu tenho certeza que sim. Eles viviam em um lindo e perfeito lugar e todos os dias tinham a companhia de Deus. Isso não era demais? Eles podiam fazer muuuuuitas coisas, somente uma coisa não podiam: comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Se eles ¬ fizessem isso, seriam castigados seriamente.

Tudo ia bem até que um dia, o diabo resolveu enganar Eva usando uma serpente. A serpente contou uma grande mentira e enganou Eva. A serpente disse que Eva poderia comer daquele fruto e que não lhe aconteceria nada de mal. E tem mais, ela disse que Eva ¬ficaria tão esperta e inteligente como Deus. Eva acreditou naquelas mentiras e resolveu desobedecer ao Senhor. Ela comeu o fruto e deu para Adão, que também comeu. Naquele momento eles olharam um para o outro e sentiram vergonha. Quando Deus chegou à tardinha para vê-los, eles se esconderam por causa do medo. Você já se sentiu triste porque ¬ fez uma coisa que fez, mesmo sabendo que era errado? O pecado faz isso com gente, nos deixa triste e com medo.
E o que é pior, ele faz a gente ficar longe de Deus. E tem mais, sozinhos a gente não pode fazer nada pra ficar pertinho de Deus de novo. Que triste! (Deixe claro que o pecado é uma coisa séria e precisa ser castigado).

Mas o amor de Deus é tão, tão, tão grande que ele planejou uma forma de voltarmos para ele! Ele sabia que a gente não conseguiria mudar, então Jesus disse: “Eu sei que o pecado precisa receber o castigo, então eu vou receber esse castigo no lugar das pessoas”. Foi por isso que Jesus veio ao mundo. Ele não apareceu aqui na terra rodeado de anjos e luzes e começou a falar para as pessoas. Nada disso, ele virou gente, nasceu, foi criança como você e viveu como qualquer pessoa. Ele brincava com os amigos, estudava, trabalhava, ajudava sua família, mas tinha uma coisa que Jesus nunca fez (Pergunte seu filho sobre o que seria).

Jesus nunca pecou. Vou repetir: ele nunca pecou. Sabe por quê? Porque Jesus é Deus. Ele foi homem como as pessoas que a gente conhece, mas não deixou de ser Deus. Quando Jesus virou adulto, algumas pessoas falaram muitas mentiras sobre ele, então Jesus foi levado para morrer numa cruz. Mas Jesus era Deus, vocês não acham que ele teria poder para não deixar que aqueles homens malvados fizessem aquilo com ele? Claro que poderia fazer isso, mas ele precisava morrer, porque o castigo pelo pecado é a morte. Jesus sofreu e morreu por vocês e por mim. Ele suportou tudo aquilo porque nos ama muuuuuito.

Ele tomou o nosso lugar e recebeu todos os nossos pecados. Que amor maravilhoso! Quando Jesus morreu, seus amigos ficaram muito tristes. Eles acharam que estava tudo acabado, mas tudo mudou, pois nem a morte pode vencer o Senhor Jesus. Ele tornou a viver. O lugar onde colocaram o seu corpo ficou vazio. Ele está vivo! Ele está aqui!

Essa é a verdadeira história da Páscoa, Jesus veio ao mundo para nos salvar, ele morreu pra receber o castigo que era meu. E a história acabou? Nada disso, Jesus voltou a viver e um dia vai voltar para nos levar para vivermos juntinho dele.

Nota:
*Método indicado para crianças até 6 anos de idade.
**Texto adaptado da Escola Bíblica de Férias Super Conexão, Cultura Cristã.

Clique aqui e baixe o material, com lição, visual em slides e pdf, que podem lhe auxiliar na hora de contar às crianças a história da Páscoa.

• Márcia Barbutti é editora assistente da Editora Cultura Cristã, responsável pelos materiais infanto-juvenis.

1 Comentário »

8 razões essenciais para relembrar a Páscoa

É provável que nos últimos dias você tenha andado de cabeça baixa. Sim, e é mais provável ainda que não seja sinal de vergonha, humildade e nem porque você tenha perdido a lista de compras.

É simples. Os supermercados transformaram os seus corredores em túneis de chocolate. É tempo de Páscoa…

Não. Queremos falar da verdadeira Páscoa. Repetir e espalhar que – na sexta-feira – Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29); e – no domingo – ele é o Leão da tribo de Judá (Ap 5.5). E, mais:

• Para relembrar que “cada um de nós se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Is 53.6).

• Para relembrar que Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5.8).

• Para celebrar o fato de que podemos nos aproximar “confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb. 4:15, 16).

• Para relembrar que “Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl. 2:20, 21).

• Para celebrar que aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?” (Rm. 8:32).

• Para relembrar e celebrar que “ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, e pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco!” (Jo. 20:19).

• Para celebrar e reafirmar: JESUS RESSUSCITOU!

A Revista Ultimato coloca à disposição do leitor 3 e-books para melhor entender e celebrar a Páscoa, em grupo, na igreja ou em família: Para Celebrar a Páscoa – Meditação e Liturgia, do pastor e colunista da revista Ultimato, Ricardo Barbosa de Sousa, A Páscoa em Pequenos Grupos, do nosso colaborador e jornalista Lissânder Dias e Nem Tudo é Sexta-Feira, do pastor Elben César.

Fonte: Revista Ultimato

Deixe um comentário »

Quem é Deus?

Moisés disse ao Senhor: “Rogo-te que me mostres a tua glória” (Êxodo 33.18). Efetivamente, ele perguntou: “Quem tu és, Deus?”. Deus respondeu com estas palavras: “Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do SENHOR; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer” (versículo 19). Ele prometeu se revelar.

Mas nenhum homem pode ver a Deus e viver. Isso é demais para qualquer homem — e para o homem pecador, em particular. Deus ordenou que ele se levantasse sobre a penha, e disse: “Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado. Depois, em tirando eu a mão, tu me verás pelas costas; mas a minha face não se verá” (vv. 22-23). Moisés fez bem em perguntar a Deus quem ele é, em vez de dizer a Deus quem ele gostaria que Deus fosse. Assim, Deus estava se revelando parcialmente a Moisés. Ele passaria, protegendo-o com sua própria mão, e proclamaria o seu próprio nome. Isso significava muito mais do que simplesmente pronunciar o nome Yahweh — “SENHOR” em nossas traduções em português — para que Moisés ouvisse. Deus proclamaria a sua natureza:

“E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!” (34.6-7).

“SENHOR, SENHOR” — ali Deus se revelou a Moisés pelo seu nome pessoal, Yahweh. Ele é o grande Eu Sou. Ele é o Deus autoexistente, imutável, por quem todas as coisas existem, e ele é misericordioso, gracioso, longânimo, cheio de bondade e verdade.

O perdão é tão importante que é expressado usando três termos semelhantes: “perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado”. Ele abunda em perdão e misericórdia. Mas o nosso Deus, de acordo com Sua autorrevelação, também é justo. Nosso texto afirma que ele não vai simplesmente inocentar o culpado. Seria contrário à sua natureza simplesmente ignorar o pecado. A justiça deve ser feita por causa de quem Deus é. Nosso Deus deve ser fiel a quem ele é. Mas como ele pode ser misericordioso e justo ao mesmo tempo? Como ele pode agir de uma maneira consistente com esses dois atributos? Se ele mostra somente misericórdia, a justiça é posta de lado. Se somente a justiça for satisfeita, não há misericórdia.

A resposta é a encarnação e a cruz. O Pai, por ser misericordioso e justo, enviou o Filho para representar todos aqueles que o Pai havia dado a ele (João 17.18-23; Efésios 5.25-32). Sem deixar de ser Deus, o Filho tomou para si uma natureza humana, e tendo sido concebido pelo Espírito Santo e nascido da virgem Maria, ele viveu perfeitamente sob a lei de Deus, guardando a lei que Adão quebrou. Ele voluntariamente foi à cruz, levando os seus eleitos, como sua cabeça federal (representativa), para serem um com ele, e levando o nosso pecado. Ele, então, suportou a ira do Pai, pagando a dívida que não podemos pagar.

Paulo diz em 2 Coríntios 5.21: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. Ao fazer-nos um com Jesus, o Pai pode ter a sua ira derramada sobre o Filho. A justiça foi feita e nossa culpa foi removida. Na cruz de Jesus, nós encontramos tanto a maravilhosa misericórdia quanto a perfeita justiça de Deus em plena exibição.

Voltemos para Moisés. Ele sabia que nenhum homem poderia ver a Deus e viver, mas Deus disse que enquanto a sua glória passasse, ele colocaria Moisés numa fenda da rocha e cobriria o profeta com a sua mão. Davi conhecia bem essa figura, dizendo: “O SENHOR é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, o meu baluarte” (Salmo 18.2). E Paulo deixa claro que a Rocha da nossa salvação é Jesus (1 Coríntios 10.1-4). Nosso Deus faz por aqueles que confiam em Cristo o que ele fez por Moisés. Ele nos esconde na fenda da Rocha. Ele nos esconde em Jesus. Em Cristo, os nossos pecados são perdoados. Nele, somos salvos da ira de Deus. Nele, conhecemos tanto a justiça quanto a misericórdia. 

Por Rev. David Kenyon é pastor sênior da Igreja Presbiteriana Pioneer em Ligonier, Pa. Ele também faz parte da equipe de Tumpline Ministries. Fonte: Voltemos ao Evangelho

Deixe um comentário »

Vocês são fortes! – estudo bíblico para jovens

Mudanças, decisões, sonhos, emoções e tantas tentações… A juventude é um tempo muito confuso. Mas você é forte! Os desafios podem ser muito grandes mas você pode encontrar força, sabedoria e alegria em Jesus.

“Jovens, eu escrevi a vocês, porque são fortes, e em vocês a Palavra de Deus permanece, e vocês venceram o Maligno.”1 João 2:14

Superando a falta de confiança

Será que é possível vencer a tentação? Manter a fé quando os amigos zombam? Tomar as decisões certas? Alguns desafios parecem impossíveis. Mas Deus diz que você é forte! Você tem mais força do que imagina. A Bíblia diz que o segredo para viver da melhor maneira é seguir a Deus. Você não precisa andar no escuro! Jesus vai lhe mostrar o caminho. Por isso, creia em Jesus e dedique sua vida a ele. Deixe que ele entre em seu coração e guie sua vida.

Estude a Bíblia. Quando você conhece a palavra de Deus, você encontra força e sabedoria para tomar as melhores decisões. Em Jesus você vai encontrar confiança. Você não está sozinho. A pessoa mais forte e mais sábia do mundo está com você – Jesus!

Vencendo a tentação

Você é forte! A pressão para fazer coisas erradas pode ser muito grande mas, se você ama Jesus, você tem força para resistir. “Não” é uma palavra muito poderosa. Nunca é demais repetir: você não está sozinho. Não lute sozinho contra a tentação. Ore, pedindo força a Deus para resistir e sabedoria para evitar a tentação.

O Maligno não vai ganhar! Você é um filho de Deus, cheio de seu poder e equilíbrio. Nada lhe pode afastar do amor de Jesus. Acredite nas palavras da Bíblia. Você vai cometer erros. Mas… não é o fim do mundo! Jesus perdoa e restaura. Não tenha medo. Peça perdão e procure consertar os erros. E Jesus vai estar com você o caminho todo. 

Fonte: BibliaOn | Projeto AMIGOS

Deixe um comentário »

Por que doar-se?

  • Quando ajudamos ao próximo, estamos agradando a Deus. Jesus disse que estaríamos servindo a Deus, a partir do momento em que nós ajudássemos os nossos irmãos. “Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. “Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?’ “O Rei responderá: ‘Digo a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’. Mateus 25:35-40  
  • “A oração move montanhas”, é uma das frases mais escutadas no meio dos cristãos. E ela é verdade. Tiago disse que quando alguém estivesse doente ou em pecado, que ela orasse para que viesse a ser curada ou perdoada. Quando oramos pelos nossos irmãos, estamos crescendo também na nossa própria vida espiritual. “A oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará. E, se houver cometido pecados, ele será perdoado. Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz.” Tiago 5:15-16 
  • A oração nunca foi tão precisa quanto nas últimas décadas. A quantidade de doenças, mortes causadas por guerras, brigas entre famílias, morte no meio de casamento por parte do marido ou da mulher, etc, são só alguns dos problemas que encontramos no nosso mundo atual. Quando intercedemos pelo nosso país, pelo nosso mundo, provamos o nosso amor por ele e a nossa compaixão, não porque estamos sofrendo tal situação, mas sim porque nos colocamos no lugar do outro a ponto de sentir a sua dor. Isso chama-se compaixão. “Quanto ao mais, tenham todos o mesmo modo de pensar, sejam compassivos, amem-se fraternalmente, sejam misericordiosos e humildes. Não retribuam mal com mal, nem insulto com insulto; ao contrário, bendigam; pois para isso vocês foram chamados, para receberem bênção por herança.” 1 Pedro 3:8-9

A partir do momento em que nos tornamos cristãos, precisamos entender de que a nossa vida nunca mais será a mesma. Precisamos ser úteis e compassivos até mesmo com os nossos inimigos, porque esse foi o mandamento do Messias, afim de que possamos chegar o mais próximo da perfeição e alcançar não só a nossa vitória espiritual, mas principalmente a vitória de nossos irmãos em Cristo. Paulo mesmo agradecia aos seus irmãos e os colocava em oração porque eles o ajudavam em seu trabalho de anunciar o evangelho e se alegrava com isso (Filipenses 1:3-6). A nossa zona de conforto foi aniquilada a partir do momento em que ganhamos uma responsabilidade da parte de Deus e precisamos estar ligados para obedecer as ordens dEle a todo momento! Espalhe o amor de Cristo, seja compassivo, humilde e solidário para com os outros. É isso o que Deus quer de você. O amor. 

Fonte: Porque me tornei Cristão

2 comentários »

Vilões, super-heróis, Jesus

No início da década de 1990, do alto dos meus sete anos de idade, eu tinha consciência da realidade e sabia que a problemática humanidade estava perfeitamente salva e segura com Jaspion, o paladino oriental de roupa cromada.

De tarde, no sofá de casa e na companhia de um pacote de bolacha, acompanhava, incrédulo, os episódios que mostravam os terríveis planos de Satan Goss, um sujeito experimentado na arte de fazer o mal, primo distante de Darth Vader – acho. Depois da trama descambar para o iminente apocalipse, Jaspion se juntava ao gigante guerreiro Daileon no duelo final, derrotando a hoste inimiga, colocando um ponto-final na aventura e, coincidentemente, no meu pacote de biscoito Trakinas.

Meus pais não gostavam muito do programa, achavam bobeira existir guerra galáctica. Para mim, bobeira mesmo era a guerra que passava à noite na televisão, interrompendo Tom e Jerry bem no meio. Meu pai dizia que era uma guerra de verdade – a primeira televisionada! – e que acontecia num lugar chamado Golfo. Lembro que eu via apenas uma tela verde, riscos de uma cidade distante, e minúsculos pontinhos brilhantes voando por todos os lados, além da voz do jornalista narrando a monótona cena. Com certeza, as batalhas de Jaspion eram muito mais emocionantes.

E foi assim que, enquanto criança, construí todo o fundamento da minha fé sobre a sólida base das histórias dos super-heróis dos seriados de televisão e HQs. Eu podia confiar neles. Até o dia em que minhas convicções foram destruídas por uma tia da igreja.

Com a magnificência de um anjo e o poder avassalador da kryptonita, ela abalou meu mundo quando disse que Jesus, o filho de Deus, era o maior super-herói entre todos porque enterrou a morte, a última e mais temida vilã da humanidade. Para mim, alguém cujo a referência salvífica reduzia-se às ações de Jaspion, Changeman e Super-homem, um novo patamar de herói fora estabelecido a partir do momento em que o unigênito de Deus me foi apresentado como meu salvador.

Com o passar do tempo, na razão inversamente proporcional com que televisão, cinema e HQs foram apresentando heróis cada vez mais complexos e surpreendentes, fui perdendo o interesse pelos executores da justiça e da ordem, porque entendi que, se eles fossem realmente a salvação para a humanidade, me poriam na lista de vilões a serem combatidos.

Eu, que pulverizo pequenas maldades em todas as áreas da minha vida, aproximo-me mais de um Coringa travestido de cidadão-comum do que um bom-mocinho pronto para ser resgatado pelo Batmam.

Descobrir-se inclinado à vilania tão cedo é um pouco estranho. Porque a ansiedade pela redenção plena durará mais tempo do que duraria se você se convertesse já velho, próximo à antessala da glória.

Também levei tempo para entender que luto uma batalha cujo principal inimigo já foi vencido, porém a vitória não pôde ser comemorada porque ainda existem alguns pequenos adversários – entre eles, eu mesmo… Por outro lado, crer no Salvador Jesus Cristo desde criança traz segurança e faz você trocar facilmente os heróis da Marvel pelos heróis da Fé, os quais um dia você verá ao vivo, de verdade.

  • Daniel Theodoro, 32 anos. Cristão “em reforma” e membro nascido na Igreja Presbiteriana Maranata de Santo André (SP). Formado em Jornalismo e estudante de Letras. Fonte: Ultimato Jovem
Deixe um comentário »

Religioso era, mas perdido estava

O coroinha e o “livro dos protestantes”

Barbacena sempre me pareceu um nome bonito. Talvez porque daquela antiga cidade mineira me venham as primeiras lembranças de minha vida. Entre elas a do soldado da rua Quinze: fuzil no ombro a mover-se de um para outro lado. Era a sentinela do 9º Batalhão. Lembro-me sempre do sino da Boa Morte, igreja bonita no alto da colina. Mas nunca ouvi falar ali em Bíblia, evangelho ou salvação que Jesus Cristo oferece a todo pecador. Se ouvi, não fui impressionado, pois não me lembro.

Em Barbacena, levei marmita para meu pai, então cabo do 9º Batalhão. Quando eu tinha 8 anos ele foi destacado para Capela Nova das Dores. Bondosa e dedicada era dona Judite, professora da escola primária. Sendo religiosa e notando em mim alguma inclinação para religião, dona Judite passou a ensinar-me algumas frases em latim. Logo comecei a ajudar o padre Juca na missa. Zé do Padre, Antônio e eu éramos os coroinhas da Igreja de Capela Nova. Cada domingo eu vestia a minha batina preta, muito preta, pois sempre que se tornava “russa” minha mãe a colocava na anilina e, domingo após domingo, eu de batina preta ajudava padre Juca na missa.

Por este tempo meu pai comprou uma mesa e dentro de uma gaveta estava uma parte da Bíblia, o Novo Testamento. Mamãe começou a ler aquele evangelho, mas sempre às escondidas, pois meu pai não tolerava o que ele chamava de “o livro dos protestantes”. Pouco a pouco, a luz do evangelho ia penetrando-lhe o coração e dando-lhe paz com Deus, gozo e confiança. Coisa maravilhosa é a leitura da Bíblia!

Um puxão de orelha

Enquanto mamãe lia a Bíblia, eu ajudava na missa. Cada dia me entusiasmava mais e mais com as cerimônias e rituais da igreja. Era tempo de reza. A noite estava agradável e a igreja, cheia. Uma criança chorou durante a reza e o padre Juca ficou nervoso, resolvendo abreviá-la. Pediu pelo turíbulo e eu não estava preparado. Quando cheguei ao altar com algum atraso, padre Juca puxou-me a orelha ali mesmo, à vista de todos. Ele não sabia, nem eu, mas Deus tinha um propósito naquele puxão de orelha. Minha mãe aproveitou a ocasião para enviar-me a uma fazenda, não longe da Capela Nova, onde se estudava a Bíblia. Depois do Vale do Rio Doce ouvi mais do evangelho.

Biscateiro em Belo Horizonte

Em 1950 meu pai foi transferido para a capital mineira. Não encontrando emprego, fui para o mercado. Ali eu carregava cestas e balaios para madames, recebendo delas um “trocado”. Não longe do mercado estava uma igreja evangélica. Aos domingos, enquanto trabalhava, fui atraído pelos hinos que ouvi por meio do alto-falante daquela igreja, na praça Raul Soares, e passei a frequentá-la. Certo dia, um moço chamado Elviro Tarabal me disse: “Ary, você precisa se batizar”. Batizado fui. Tornei-me membro da igreja.

Membro da igreja, mas perdido

Não é a igreja que salva. Eu havia me unido a uma igreja evangélica, mas estava perdido. Não tinha e não poderia ter certeza da salvação. Igreja, seja ela católica ou protestante, não salva. Quem salva é só Jesus! São Pedro, o príncipe dos apóstolos, declarou: “Só n’Ele (Jesus) está a salvação; pois aos homens nenhum outro nome foi dado sob o céu pelo qual possamos ser salvos” (Atos 4.32). Mas eu não entendia isso. Um ano depois, a missionária Rosalee Appleby deu-me um livro escrito por Moody, Caminho para Deus e Como Encontrá-lo. Deus, na sua infinita misericórdia e em seu grande amor, mostrou-me por meio deste livro o meu estado de perdição. Eu ia à igreja e ouvia o pregador falar da paz que há em Cristo, do gozo que vem do céu e sobretudo da certeza absoluta que o homem pode ter a respeito da sua própria salvação. Entendi que estava perdido! Não sabia para onde iria caso morresse. Religioso era, mas perdido estava. Porém, coisa boa é quando o homem descobre que está perdido, pois, então, procura ser salvo. Quantos homem e mulheres há que perdidos estão, mas não o sabem. Eu vi que era perdido e procurei a salvação. Esforcei-me para entrar pela porta estreita. Quando procurei, achei. No dia 31 de julho de 1953, fui àquela mesma igreja da praça Raul Soares em Belo Horizonte. Ali ouvi a mensagem de que Jesus Cristo veio e morreu para me salvar. Naquela noite entreguei, pela fé, minha vida a Cristo, confiei nele. Fui salvo. Ao chegar em casa, acordei minha mãe e disse-lhe: “Mãe, fui salvo”. De alegria, lágrimas rolaram dos seus olhos.

Nota: Texto publicado originalmente em 1968, na edição 7 de Ultimato.

• Ary Velloso, mineiro de Congonhas do Campo. Depois da experiência de conversão narrada acima, fez o ginásio e o curso clássico no Colégio Municipal de Belo Horizonte. Matriculou-se na Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Em 1962, transferiu-se para a cidade de Dallas, no Texas, onde completou seus estudos de teologia e se especializou em grego no Dallas Theological Seminary. Foi missionário da Sepal e fundador da Igreja Batista do Morumbi. Faleceu aos 77 anos, em 25 de abril de 2012.

Deixe um comentário »

Eu aborto, tu abortas, nós abortamos: Deístas e direito da mulher

No deísmo não há crença em Deus como pregam as principais religiões. Não se acredita que as religiões possam estar certas quanto a se dizerem conhecedoras da Palavra de Deus ou da maneira como ele quer que nos comportemos moralmente. Nele, deus é visto como simples causa primeira e princípio subjacente à racionalidade no universo. É o deus da natureza – um ente não-intervencionista –, que permite que o universo funcione de acordo com suas leis naturais de modo auto-operante, autoexplicativo por meio da razão humana. David Hume aponta uma descrição de deísmo que nos interessa na medida em que também indica o sutil processo de secularização da cultura e dos cristãos de sua época:

Muitos teístas, mesmo os mais entusiastas e sofisticados, têm negado a existência de uma providência particular e afirmado que o espírito Soberano, ou o primeiro princípio de todas as coisas, após ter fixado as leis gerais que governam a natureza, deixou essas leis seguirem, sem interrupção, seu livre curso, sem modificar a cada instante, por atos particulares, a ordem estabelecida dos acontecimentos1.

Em crítica a defesas de igual teor por parte dos novos adeptos da religião natural, Kant elabora uma distinção muito apropriada entre deísmo e teísmo:
 Como estamos acostumados a entender, pelo conceito de Deus, não apenas uma natureza eterna, atuando cegamente, como raiz das coisas, mas um Ser supremo, que deve ser o criador das coisas pela inteligência e a liberdade, e só este conceito nos interessa, poderíamos em rigor negar ao deísta toda a crença em Deus e deixar-lhe apenas a afirmação de um ser originário ou de uma causa suprema. No entanto, como ninguém deve ser acusado de pretender negar inteiramente alguma coisa, só por não se atrever a afirmá-la, é mais justo e indulgente dizer que o deísta crê num Deus, ao passo que o teísta crê num Deus vivo (summa intelligentia)2.

Ou seja, o deísmo é uma religião de um deus não operante, não interventor. E porque não é vivo nada tem a dizer sobre como a humanidade deve viver e encaminhar sua vida privada ou pública. É o deus do ateísmo prático na medida em que deixa a humanidade sujeita aos seus próprios modelos e soluções. Como dizia Voltaire, Deus não se ocupa dos homens. E assim, o deísta pensa e age.

Assim, por ocasião da consulta popular da proposta que regula a interrupção voluntária e irrestrita da gravidez dentro das doze primeiras semanas de gestação (SUG 15/2014), um fenômeno interessante surgiu num grupo de feminismo cristão dito protestante. Tratou-se de uma campanha para a promoção afirmativa desta proposta sobre os argumentos de que, mesmo que a cristã não faça um aborto — afinal, ninguém é a favor do aborto (ops!?) –, este é um assunto que diz respeito à escolha pessoal da mulher. Que nem mesmo uma cristã teria o direito de censurar tal opção às mulheres, principalmente às pobres, que são as mais vulneráveis nessa situação. E mais, que o aborto é questão de saúde pública, constituindo-se, assim, um problema de Estado. E que a não aprovação da lei no Brasil tem a ver com a empáfia promovida pela bancada evangélica, que quer regular os corpos e as liberdades dos outros. E por aí vai.

Outro grupo em prol do direito reprodutivo da mulher — eufemismo para aborto — é o Católicas pelo Direito de Decidir. No Brasil, a ONG nasceu em 1993 e, conforme se lê em sua carta institucional, apoia-se na prática e teoria feminista para promover mudanças sociais, especialmente nos padrões culturais e religiosos. Seus objetivos são: (1) contribuir com a construção do discurso ético-teológico feminista pelo direito de decidir que defenda a autonomia das mulheres, a diversidade sexual, a justiça social e o direito a uma vida sem violência; (2) conscientizar a sociedade de que a experiência humana da sexualidade e da reprodução de todos e todas deve ser reconhecida, respeitada e vivida de forma autônoma e livre; (3) promover o diálogo inter-religioso e uma cultura de respeito à livre expressão religiosa; (4) defender os princípios democráticos de laicidade do Estado, particularmente a sua autonomia frente a grupos religiosos; (5) trabalhar pela aprovação e efetiva implementação de leis, políticas públicas e serviços necessários à plena cidadania das mulheres, jovens, LGBTs, negras e negros3. Defende também resgatar o magistério católico em seus itens que falam sobre o ser humano obedecer ao julgamento de sua consciência. Por fim, defende ainda que o feminismo organizado no Brasil tem pauta e que esta pauta é prioritariamente o aborto4.

No primeiro caso — mas não somente nele –, muitas coisas poderiam ser ditas do emaranhado de argumentos que confundem o mais desatento. Mas chamam atenção as alegações que enfatizam a escolha pessoal e a ideia de que as cristãs ou a religião nada têm a dizer sobre o assunto. Erro que resulta de não pensar as crenças religiosas como um saber, ou um saber dialógico ao debate público. Velha confusão sobre laicidade e sobre a diferença entre o fazer política como Nação e como Estado. Velha e deliberada ignorância dos fundamentos cristãos sob tudo que se tornou a civilização ocidental, inclusive, por seu apreço à liberdade.

No caso do grupo católico, o debate é mais claro ao sinalizar o alegado direito da mulher de decidir sobre uma gestação pelo deslocamento de valor do nascituro para a sua vontade e corpo. A autonomia da mulher é o princípio a ser salvaguardado diante de uma gravidez indesejada. E a palavra autonomia aparece em três dos quatro objetivos do Católicas pelo Direito de Decidir, chamando atenção para o fato de tanto a sociedade quanto o Estado aparecerem em condição passiva em seus objetivos. A primeira como aquela que deverá ser conscientizada e o segundo como aquele que deverá ser salvo de grupos religiosos. Pensamento tipicamente militante. Autoritário por natureza e necessidade.

Mas aqui não se quer dizer que a mulher não deva gozar de autonomia, a qual não é ilimitada. Nem que a coletividade deve prevalecer sobre os direitos individuais. Tampouco se esquece aqui do grande número de desserviços promovidos por grupos religiosos na esfera política. Antes, o que se quer pontuar é a retirada de um Deus interessado, vivo, do atual pensar e fazer política de alguns cristãos. Suas categorias práticas seguem à revelia de um Deus ocupado das coisas dos homens. E ocupado com valores que podem não ser aqueles entregues à soberania e correção do indivíduo e do Estado. Afinal, de modo geral, a Bíblia parece apoiar a ideia de que o nascituro é considerado uma pessoa para Deus (Êx 21.22-25; Jó 3.3; Jr 1.5; Is. 49.1; Sl 51.5; Sl 139.13-16; Lc 1.15; Lc 1.39-56, Gl 1.15), seja pelo argumento de presciência da pessoa em formação ou pelo reconhecimento de pessoalidade pelo continuum de uma identidade pessoal que se entende da concepção à idade adulta.

Ao descartar esse debate que considera razões teorreferenciadas, as cristãs absorvidas pela política de redução de danos acabam por se tornarem simples administradoras da queda adâmica como qualquer outra pessoa à parte de um Deus interessado. Perdem, assim, a oportunidade ímpar de revelar princípios que vão para além do fenômeno urgente. Pois não era isso que o próprio Cristo fazia quando colocado à prova por seus interlocutores? Afinal de contas, viver a providência divina parece algo como estar em uma relação que conjuga o todo da realidade, ressignificando (outro nome para evangelismo) o mundo através da uma Verdade atemporal e, por isso mesmo, perene e contracultural.

Então, lembremos que Deus se ocupa, sim, das coisas dos humanos. E que esse é o entendimento que sempre marcará a diferença entre os cristãos e os deístas de cada época. Mesmo que estes por alguma sutileza própria do seu tempo se reivindiquem como cristãos.

Notas
1. David Hume, História Natural da Religião.
2. Immanuel Kant, Crítica da Razão Pura.
3. catolicasonline.org.br
4. Feminismo (s) e religião (ões): aproximações, ambiguidades e contradições com Maria José Rosado, socióloga e professora da Puc-SP. Instituto CPFL de Cultura. 16/06/2016

• Isabella Passos é formada em filosofia pela PUC-MG. Mora em Belo Horizonte e é membro da Igreja Esperança.

Fonte: Revista Ultimato

Deixe um comentário »

Ver Jesus muda tudo

Acredito que toda a multidão que naquele momento acompanhava Jesus, em Jericó, ficou em silêncio quando Bartimeu foi levado até o Senhor. Imagino que aquelas dezenas de pessoas ao redor dos dois parou para ouvir o diálogo entre eles, deixando-os em um pequeno espaço no meio da aglomeração. Todos estavam atentos para ver o que Jesus faria com aquele homem.

Foi quando o Mestre disse: “Vá, a sua fé o curou” (cf. Mc 10.52). Assim que ele terminou de pronunciar aquelas palavras, todas as células e os tecidos danificados dos globos oculares e das ligações nervosas dos olhos de Bartimeu foram refeitas e, em questão de milésimos de segundo, a escuridão que o acompanhara por anos foi interrompida. Luzes e cores invadiram seu campo sensorial, e a primeira imagem que entrou pelos olhos do ex-cego foi a face de Jesus. Acredito que Bartimeu nunca mais se esqueceu daquele rosto, do olhar e da expressão facial de misericórdia.

Quando penso nessa cena, outra história me vem à lembrança: a descrição da criação do homem. O texto de Gênesis relata que Deus formou o ser humano do pó da terra e, depois de ter feito Adão, soprou vida em suas narinas. Assim que se tornou gente, aquele homem abriu os olhos pela primeira vez. Consegue imaginar o que ele viu? O mesmo que Bartimeu nas ruas de Jericó. A primeira cena gravada no cérebro de Adão foi a face de Deus.

É por isso que o ser humano nutre uma enorme insatisfação que nada neste mundo consegue sanar. Desde sempre ele vem tentando resolver essa necessidade de ver Deus, e o faz recorrendo a entretenimento, sexo e todo tipo de prazeres e ídolos. Mas sua busca não cessará enquanto ele não fizer aquilo de que realmente precisa: ver Jesus. Pois essa é a única forma de voltar ao estado perfeito, tornando-se uma cópia do Senhor.

A ordem de Cristo para Bartimeu foi: “Vá, a sua fé o curou”. O Mestre o mandou ir, mas, ao contemplar a beleza de Cristo, o ex-cego não conseguiu deixá-lo. Marcos termina o relato dizendo: “Imediatamente ele recuperou a visão e seguiu Jesus pelo caminho” (Mc 10.52). Após ver o Mestre, o filho de Timeu se tornou seu seguidor.

Clame de todo o coração: “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim, pois meu maior desejo é ver a tua face!”, e creio que o Espírito Santo abrirá seus olhos. Nas próximas vezes em que ler a Bíblia, você não verá apenas um texto, mas um homem: Jesus. Ao parar para ouvir uma pregação, já não será uma palestra qualquer, mas o próprio Cristo falando com você. Quando for orar, já não será um ritual religioso, mas uma conversa com seu melhor amigo.

E prepare-se, porque ver Jesus o fará ser tomado pelo desejo de segui-lo. Você não conseguirá fazer outra coisa a não ser tornar-se um discípulo dele. Mais ainda: entrar em contato com o ser mais belo que existe o fará querer se parecer com ele. Suas ambições carnais, temporais e passageiras serão trocadas pelo mais nobre de todos os desejos: a ambição duradoura e eterna de tornar-se uma cópia de Jesus.

Gostou do artigo? Ele é um trecho do livro JesusCopy – A revolução das cópias de Jesus, escrito por Douglas Gonçalves. 

Fonte: Mundo Cristão

Deixe um comentário »

6 motivos para cair (ou não) na folia

Não vou dizer que o carnaval está aí, porque acho que todo mundo já notou. Mas pode ser que alguém ainda esteja na dúvida se cai na farra ou não. São dias para ficar à toa e, para ajudar sua escolha, veja essas razões:

1. Você pode ser quem você quiser

É enfiar uma máscara e sair livre por aí. Para dizer a verdade, nem precisa de máscara, porque a sua própria cara funciona como a máscara do Máskara. Além disso, não vai ter patrulhamento, é cada um na sua, escolha o que ou quem quer ser e vamo-que-vamo.

2. Você pode ser você mesmo

Isso aí. Se é no resto do ano que você fica mascarado, agora libere seu assanhamento, solte a franga, vá para galera, curta adoidado, leve os quatro dias numa boa. Ninguém vai te estranhar, porque todos os conhecidos vão pensar que você está se mascarando, afinal, o ano inteiro você é careta. Só você sabe que a hora é de se soltar e assumir a sua real identidade.

3. O carnaval faz a gente esquecer os problemas do país

Ninguém merece: estão dizendo que a economia está melhorando (há quem acredite…), mas a política é claro que não mudou, porque “eles” continuam lá e continuam rindo. Solução? Quatro dias no bloco dos Otários do (ainda) Morro (disso) ou no cordão do carnavalesco Nadinha Resolvido da Silva. Depois do carnaval está tudo pior, mas ano que vem tem mais.

4. Abandono de regrinhas chatas e sem sentido

Eu sei que muitos políticos vão fazer na vida pública o que eles faziam na privada e aí no carnaval a moda pega. Banheiro público vira isso mesmo: fazer as necessidades em público. É isso que quer dizer aquele antigo hino (des)conhecido:
“brava gente brasileira,
longe vá pudor senil,
veja quanta gente jovem
emporcalhando o Brasil”.

5. Pegação geral e desrespeito às mulheres

Neste país em que mulher é vista por muitos como objeto ano inteiro, no carnaval ela se apresenta desembrulhada, pronta para consumo. Mas o machão brasileiro é exigente, então quer dar uma apertadinha para ver se a fruta está madura, quer degustar para ter certeza de que não leva gato por lebre. Alto nível.

6. Libidação ou liberação geral

Embora pecado tenha muitas modalidades, a ideia de que não existe pecado do lado de baixo do Equador é sempre associada a sexo sem barreiras. Não interessa quem com quem nem com quens, nem quando, nem quantos, nem onde. Toda hora é hora, então, que tal agora? Tem gente passando? Então vamos nessa.

Está bem, chega de ironias. Você não cai nessa farra. O caso, porém, é que, mais do que fugir do carnaval, importante é tirar o carnaval de nós. Se não, a gente pode passar os quatro dias em um retiro abençoado, mas desfilar o ano inteiro no mesmo bloco, na mesma avenida.

Por Cláudio Marra – Casado com Sandra, é jornalista, pastor presbiteriano e editor da Cultura Cristã. 

Fonte: Revista Ultimato

Deixe um comentário »

O que posso aprender com meu espinho na carne

Em sua segunda carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo relata que sofre com um “espinho na carne”. Muito se discute sobre o que seria este “espinho na carne”. As especulações são as mais diversas possíveis. Seja uma doença física ou um desejo pecaminoso, o espinho na carne causava dor e sofrimento em Paulo.

Acontece que ler este relato do apóstolo me traz, na realidade, conforto. Não que eu me alegre com o sofrimento de Paulo, muito pelo contrário, mas é interessante ver como este personagem tão importante na história era “gente como a gente”. Após o encontro com Jesus, a vida de Saulo de Tarso mudou radicalmente – até o nome -, mas isso não quer dizer que a vida dele na Terra seria livre de aflições. O próprio Jesus disse que “neste mundo vocês terão aflições” (João 16:33 NVI).

Quando relata o espinho na carne, Paulo diz que “para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar” (2 Coríntios 12:7 NVI). Acredito que, de uma forma ou de outra, todos temos um espinho na carne, por mais sigiloso e íntimo (ou não) que seja. O espinho na carne pode, para alguns, ser o vício em bebida; para outros, em pornografia; e por aí vai.

É interessante destacar o que Paulo diz no versículo seguinte: “três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim” (2 Coríntios 12:8 NVI). Muitas vezes, com nossa natureza pecaminosa, tendemos a pensar que Paulo, por ser um plantador de igrejas, teria uns pontinhos a mais com Deus e, por isso, seu pedido seria prontamente aceito. A verdade é que, com Deus, as coisas não funcionam na base da permuta, da justiça própria, como estamos tão acostumados neste mundo. A resposta de Deus para Paulo é simples: “Minha graça é suficiente a você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Coríntios 12:9 NVI).

Muito provavelmente boa parte das pessoas ficaria revoltada com esta resposta de Deus e, até mesmo, “exigiria” uma absolvição, mas as próximas palavras de Paulo são lindas: “Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco, é que sou forte” (2 Coríntios 12:9-10 NVI).

Refletindo sobre esse texto, penso que meu espinho na carne me faz entender que sou extremamente dependente de Deus. Sem o seu amor e a sua misericórdia, não passo de alguém que não consegue sequer lutar contra sua natureza corrompida pelo pecado. Ao mesmo tempo, o meu espinho na carne me faz ser solidário com meus irmãos, buscando ajudá-los em suas lutas e tribulações. O meu espinho na carne me faz desejar, cada dia mais, que nosso Salvador e Senhor, Jesus Cristo, volte o quanto antes, pois como disse Paulo, “considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada” (Romanos 8:18 NVI).

É importante lembramos que as histórias bíblicas são repletas de personagens que, embora fossem servos de Deus, erraram em algum momento da caminhada. Moisés e Davi são exemplos disso. Graças à grande misericórdia de Deus, os erros cometidos não significaram o fim da linha. Deus não os abandonou. O mesmo Jesus que disse que teremos aflições neste mundo nos conforta dizendo: “tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33).

Embora tenhamos nossos espinhos na carne, o amor de Deus é superior às nossas fraquezas. Por maiores que pareçam, nossas fraquezas não podem nos afastar do amor de Deus. Como o próprio Paulo escreveu em sua carta aos Romanos, “quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8:35,38-39 NVI).

Que possamos aprender com nossos espinhos na carne e sermos solidários com nossos irmãos em suas lutas, afinal, “quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Romanos 8:33-34 NVI).

Glória somente a Deus!

  • Por Renan Vinícius – mestrado em computação, onde investiga a utilização de recursos computacionais no processo de reabilitação motora. É membro da Igreja Presbiteriana de Higienópolis, em São Paulo. Fonte Ultimato Jovem
Deixe um comentário »

Simplesmente escute

A partir do momento em que você se dispõe a escutar, quando uma pessoa precisa falar, você cria um elo, um elo muito especial.

Como abrir o caminho da comunicação?
Aprendendo a escutar! Escutar é 90% de uma boa comunicação. É uma habilidade. Uma habilidade que pode ser aprendida e praticada.

O escutar atento e genuíno é coisa muito rara. Para nos tornarmos humanos, precisamos de alguém que nos escute. Para sermos humanos, precisamos aprender a escutar. E um bom ouvinte também escuta com os olhos!

Para você refletir:

1. Você interrompe os outros em sua fala?

2. Antecipa-se às suas ideias?

3. Tenta concluir a fala do outro por ele?

4. As suas atitudes indicam pressa, impaciência, superioridade?

5. Você consegue ir além das palavras e das frases e captar as ideias?

6. Você consegue ir além das ideias e captar os sentimentos?

Escutar com amor
Escutar as pessoas com amor é fundamental! Quando escutamos uma pessoa com toda atenção, ela se abre com a gente. Esta é uma forma de despertar o melhor dos outros, ajudar a clarear os seus pensamentos e identificar os seus sentimentos.

Devemos dar à pessoa a liberdade de se queixar de sua situação difícil, se ela sentir a necessidade e o desejo de fazê-lo. Quando permitimos que alguém exponha as suas angústias profundas e, nessa escuta, conseguimos transmitir-lhe compreensão, atenção total, na maioria das vezes, a pessoa começa a ver as coisas sob uma nova luz.

A escuta com amor traz resultados maravilhosos! Quantas vezes somos falantes e eloquentes com as pessoas, quando elas apenas nos solicitam atenção e compreensão.

Ouvido aberto = sinal de um coração aberto

A comunicação começa com o escutar. E cresce com a verdadeira compreensão.

“Você começa a compreender a vida, aprende a viver, na medida em que aprende a escutar” (David Augsburger).

Nota: Augsburger, David – “The freedom of forgiveness”, Moody Press, Chicago, USA, 1970.

Maria Luiza Rückert, autora de Capelania Hospitalar e Ética do Cuidado, cursou teologia na Escola Superior de Teologia (EST), em São Leopoldo, RS, e aprofundou seus estudos em clínica pastoral no Hospital da Universidade de Minnesota, Estados Unidos. Pós-graduada em ética, subjetividade e cidadania, atuou como capelã no Hospital Evangélico de Vila Velha, ES, durante vinte anos.

Deixe um comentário »

Lembrem-se dos que estão na prisão

Fui a São Paulo no dia 9 de maio de 2006 especialmente para visitar pelo menos duas penitenciárias, providências tomadas por Eldman F. Eller, capelão da Universidade Presbiteriana Mackenzie, junto à Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Não podia imaginar que no final daquela semana, São Paulo experimentaria a mais sangrenta guerra urbana de sua história, provocada pela facção criminosa conhecida como Primeiro Comando da Capital (PCC), com 105 rebeliões em presídios, 82 ônibus incendiados, 17 agências bancárias atacadas e mais de 160 mortos entre suspeitos, agentes da lei, detentos e civis inocentes.

Tivemos uma longa conversa com a jornalista Rosângela Sanches, assessora de imprensa da SAP, órgão criado em 1993 para administrar as 144 unidades prisionais, onde vivem 123.327 encarcerados (dados de abril de 2006). Rosângela nos contou que o sistema prisional recebe setecentos novos presos por mês e que cada encarcerado custa ao Estado setecentos reais mensais em média. Mentalmente multipliquei esse valor pelo número de pessoas atrás das grades e achei a fabulosa quantia de 86 milhões de reais (só no Estado de São Paulo). Naquele escritório havia um cartaz afixado na parede com os seguintes dizeres: “A lei 7.210, de 11 de julho de 1984, protege o preso contra reportagens sensacionalistas”. A carapuça não me serviu.

A pior coisa do mundo
A Epístola aos Hebreus tem toda a razão quando exorta os seus leitores a se lembrarem dos que estão na prisão “como se aprisionados com eles” (Hb 13.3). Pois, como escreveu J. K. Rowling, “a pior coisa do mundo é o encarceramento”. E as razões são muitas.

Além da privação de liberdade, que por si só já é algo insuportável, corre-se mais risco de vida nos presídios do que fora deles. Qualquer briga nas celas, nos pavilhões, nos corredores e nos pátios pode terminar em morte. Qualquer desconfiança de que um preso teria delatado outro é motivo de assassinato. O não pagamento de uma dívida, mesmo irrisória, pode custar a morte do devedor. Uma vez, um funcionário do Carandiru pagou do seu próprio bolso um pacote de cigarro que um ladrão devia, só para evitar um homicídio a mais em seu pavilhão. Os mais perigosos se impõem pelo poder e não pela força física. Drauzio Varella conta que o maior brutamontes da antiga Casa de Detenção foi assassinado, enquanto dormia, por um branquinho obstinado de 44 quilos. Curioso é que os bandidos não suportam o estupro: “Estuprador jamais é aceito e, se desmascarado, corre risco de vida. Preso abusado sexualmente só será admitido se matar seus ofensores”, acrescenta Varella (Carandiru, p.77). Eles matam também aqueles que vão parar na cadeia por terem abusado de alguém menor. Um abusador foi esfaqueado até a morte menos de uma hora depois de ter chegado algemado ao presídio.

Muitos presos cometem suicídio nos presídios. Em 2004, houve 403 óbitos nas unidades prisionais do Estado de São Paulo. Destes, 35 foram pessoas que tiraram a sua própria vida (quase 10% de todas as mortes). O mesmo acontece em outras prisões do mundo. O número de suicídios em prisões americanas é enorme: a taxa é superior a cem por cem mil. Desde 2002 já houve 39 tentativas de suicídio entre os prisioneiros que estão na base militar americana de Guantânamo. Um deles, de 32 anos, já tentou se matar doze vezes (Jornal do Brasil, 20/05/06). A explicação dada pelo filósofo alemão Arthur Schopenhauer é aceitável: “Assim que o terror da vida ultrapassa o terror da morte, o homem põe fim na sua vida”. Referindo-se à sua experiência no Carandiru, Varella explica que “os suicídios acontecem de manhã, depois de noites de pressão ou pânico claustrofóbico, espremidos entre os outros, sem poder chorar”.

Se tudo isso não bastasse para tornar o encarceramento a pior coisa do mundo, ainda há o risco de pegar doença contagiosa (principalmente tuberculose), o sentimento de culpa que persegue não poucos encarcerados, a pavorosa mistura entre presos culpados de crimes leves com presos culpados de crimes hediondos, a insuportável morosidade da justiça brasileira, o abandono da família (quase 30% não recebem visita alguma), aquela tensão sexual que deixa os presos “ardendo de desejo” (1Co 7.9) e a gritante injustiça entre o criminoso pobre que não tem como pagar advogado para sair da cadeia e o criminoso rico que tem como pagar advogado para não entrar na cadeia (basta lembrar os recentes casos do jornalista Antonio Pimenta Neves e de Suzana Richthofen). Logo na entrada do Carandiru havia uma placa de cobre na qual estava escrito: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar preso na Casa de Detenção”.

Presídios femininos do Estado mais rico do Brasil abrigam 4 mil mulheres
Elas poderiam estar com os pais ou com marido e filhos ou mesmo sozinhas. Mas não estão. No momento, essas mulheres estão atrás das grades em onze diferentes presídios no Estado de São Paulo. Quase metade das 3.930 detentas foi condenada por tráfico de drogas (48,5%). Mais da metade são reincidentes. Quase um quarto delas são moças entre 18 e 24 anos (24%). O maior grupo tendo em vista a faixa etária é formado de mulheres um pouco mais velhas, entre 25 e 34 anos (42%). Mais da metade nunca se casou (54%). Poucas têm curso superior completo ou incompleto (4%). Bem mais de um terço das detentas não recebem visitas de ninguém (36%). As demais, com maior ou menor freqüência, recebem visitas de avós (3%), netos (5%), tios (10%), pai (14%), companheiro (18%), irmãos (45%), mãe (47%), filhos (48%) e outros. Quase um quarto das encarceradas têm pelo menos um filho, e 5% têm mais de seis filhos. Os filhos ficam com os avós maternos (40%), o pai (20%), os avós paternos (11%), os tios (12%), os irmãos mais velhos (7%) etc. Alguns já são independentes e outros estão em orfanatos, na FEBEM ou também presos. Sabe-se que a guarda dos filhos é mais assumida pelas companheiras dos detentos do que pelos companheiros das detentas. As mulheres entregam-se ao trabalho mais do que os homens e são mais bem remuneradas do que eles. Quanto ao uso dessa remuneração, há uma significativa diferença entre eles e elas: o homem beneficia mais ele mesmo e a mulher divide quase pela metade o dinheiro com suas necessidades pessoais e a família. O dado mais surpreendente é que mais de um quarto das detentas declaram-se evangélicas (29%).

Durante a visita que fizemos à Penitenciária Feminina da Capital, no bairro Carandiru, na Zona Norte de São Paulo, gentilmente recebidos pela senhora Marcella Luciana Paolone, assessora da diretora dra. Ivete Barão Azevedo Halasc, perguntamos se seria possível nos encontrar com Adriana Nicoletti de Amorim, uma detenta de 31 anos, de origem evangélica, cujo pai, recentemente falecido, morava numa cidade próxima a Viçosa, MG. No pequeno encontro que tivemos com a moça, o capelão Eldman Eller orou por ela e eu a encorajei a permanecer ao lado do Senhor.

Quem nunca esteve na prisão não sabe quanto é bom não estar lá
Visitamos, o capelão da Mackenzie e eu, a Penitenciária José Parada Neto, no município de Guarulhos, na companhia de seu diretor, dr. Antonio de Oliveira Filho. Vimos as salas de aula, as oficinas, os consultórios médico e dentário, a biblioteca, os amplos corredores, as celas e o pátio. Apertamos a mão de agentes penitenciários e detentos.

Ao ver aqueles presidiários, lembrei-me daquela mãe do Paraná mencionada no livro de Drauzio Varella, que viajava seiscentos quilômetros de ônibus duas vezes por mês para visitar o filho na antiga Casa de Detenção, em São Paulo. Por essa razão, fiquei encantado com os dizeres e os desenhos feitos pelos presos, com quatro dias de antecedência, para receber e homenagear suas progenitoras no dia das mães. Porém a homenagem não aconteceu por causa do tumulto daquele fim de semana (13 e 14 de maio). Quem mais visita os presos são mulheres: namoradas, esposas, irmãs, tias e a inseparável mãe. Algumas esposas trazem bebês, boa parte deles concebidos na cadeia por ocasião das chamadas visitas íntimas, que ninguém sabe direito quando começaram, talvez no início dos anos 80, na Casa de Detenção. De acordo com o último censo demográfico da SAP de São Paulo, 39% dos encarcerados não recebe visita íntima. Os 61% restantes recebem toda a semana (21%) ou pelo menos uma vez por mês (40%).

Quase a metade da população carcerária, pelo menos no Estado de São Paulo, trabalha de segunda a sexta-feira, nas oficinas ou nas próprias celas. Em novembro de 2005, havia mais de 40 mil encarcerados fazendo isso. Cerca de duzentas empresas contratam seus serviços, pagando por volta de trezentos reais por mês. Para cada três dias de trabalho, eles ganham um dia de remissão da pena. Para diminuir cinco anos da pena, eles teriam de trabalhar quinze anos. O estímulo poderia ser bem maior!

Uma boa parte dos que estão na prisão pensa apenas em fuga. Só em Minas Gerais, 2.196 detentos fugiram da prisão em 2005. Policiais e carcereiros estão vigiando os 51 túneis escavados ao redor da Cadeia Pública de Tatuí, SP. Alguns matam para fugir e outros morrem durante a tentativa de fuga.

A aspiração pela liberdade é muito bem exposta pelo ex-detento José Isabel da Silva Filho, o Monarca, ao descrever o seu dia-a-dia em liberdade em artigo publicado na Folha de São Paulo: “Quem não esteve na prisão não sabe o quanto é bom poder levantar cedo, ir trabalhar, voltar, tomar banho, andar de ônibus, acordar de madrugada e sair no portão para tomar um vento na cara, essas coisas simples” (Folha de São Paulo, 03/04/06).

Todos sofrem com o crime: a vítima, o criminoso, a polícia, o agente penitenciário, a família, a sociedade, a religião, os cofres públicos, o país. E todos somos culpados, em menor e maior grau. A rigor, ninguém pode atirar a primeira pedra. Todos somos cúmplices, de uma forma ou de outra. Ninguém pode tomar partido. Se o mototaxista de São Luís do Maranhão mata de madrugada o filho de 7, a ex-mulher de 31, o ex-sogro de 62, a ex-sogra de 57 e a ex-cunhada de 27, “a polícia de São Paulo mata mais gente do que as polícias de todos os países da Europa juntos” (denúncia do sociólogo francês Loic Wacquant, publicada na Folha de São Paulo de 15/05/06). Se Suzane von Richthofen mata a pauladas com o auxílio de seu namorado o próprio pai e a própria mãe, enquanto o casal dorme, a Polícia Militar invade o então maior e mais problemático presídio da América Latina e mata 111 homens num mesmo dia. A confissão de fracasso deve ser coletiva.

Para se ter uma idéia da complexidade do problema, vale a pena citar o economista Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES: “Uma sociedade que deixa sua juventude desempregada é uma sociedade que está semeando violência”. E para evitar partidarismo e radicalismo, precisamos dar ouvidos a outra declaração do mesmo economista: “O preso tem direitos humanos, mas a população também tem direito a andar na rua e não receber uma bala na cabeça, a trabalhar e voltar para casa com certa normalidade” (Folha de São Paulo, 21/03/06).

Os 22 Centros de Ressocialização da SAP do Estado de São Paulo e o projeto Novos Rumos na Execução Penal de Tribunal da Justiça do Estado de Minas Gerais são uma luz no final do túnel e devem ser saudados com muita alegria e esperança. O objetivo do segundo é incentivar a expansão da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC).

Seja através dessas novas medidas, seja através de iniciativas particulares, seja através de pregação do evangelho, o método sugerido pelo autor da Epístola aos Hebreus é de um acerto incrível: “Lembrem-se dos que estão na prisão, como se aprisionados com eles”!

Nota: Texto publicado originalmente na edição 301 (jul/ago 2016) da revista Ultimato. 

Por Elben M. Lenz César – Diretor-fundador da Editora Ultimato e redator da revista Ultimato, Elben César é autor de, entre outros, Mochila nas Costas e Diário na Mão, Para Melhor Enfrentar o Sofrimento, Conversas com Lutero, Refeições Diárias com os Profetas Menores, A Pessoa Mais Importante do Mundo, História da Evangelização do Brasil e Práticas Devocionais. Ex-presidente da Associação de Missões do Terceiro Mundo e fundador do Centro Evangélico de Missões, do qual é presidente de honra, é também jornalista e pastor emérito da Igreja Presbiteriana de Viçosa.

Deixe um comentário »

Nasceu o Salvador… Feliz Natal!

Clique nas imagens e leia os versículos

Fonte: YouVersion / Projeto AMIGOS

Deixe um comentário »

Natal de mais e Natal de menos

Para os cristãos, o Natal é uma celebração genuína do nascimento do Salvador e Senhor Jesus Cristo. É tempo não só de recordar as promessas do Messias como também o seu cumprimento na pessoa de Jesus em Belém de Judá. Na igreja e nos lares cristãos aproveitamos esse tempo para ler as profecias e o evangelho e para cantar os hinos natalinos.

Mas como qualquer prática e costume religioso, o Natal sofre as influências culturais da época. É verdade que o Natal deixou de ser uma festa exclusivamente cristã ou até mesmo estritamente religiosa. O Natal se secularizou pelo espírito materialista e consumista da sociedade moderna. Mas, curiosamente, não é isso que parece perturbar mais muitos cristãos a respeito do Natal. Muitos cristãos hoje se tornaram sensíveis às associações pagãs de símbolos, costumes e objetos e procuram se desvencilhar de qualquer ligação ou “pacto” com o que não é de Deus.

Vejo duas grandes ameaças que ofuscam a celebração do verdadeiro Natal, as quais sintetizo simplesmente como Natal de mais e Natal de menos.

A primeira é uma ênfase exagerada no Natal, especialmente, em seu modo secularizado de celebrá-lo. É certo que o Natal não é a celebração mais importante do calendário cristão. Pelo menos, não é uma festa bíblica – no sentido que não foi instituída ou praticada pela igreja primitiva. A Bíblia não nos ensina a observar uma festa pelo nascimento do Messias. O Natal de fato só começou a ser celebrado a partir do ano 336 d.C., época em que muitos rituais pagãos estavam sendo absorvidos pelo cristianismo. Exatamente por isso, há aqueles que defendem a rejeição completa do uso dos símbolos do Natal como a árvore, o Papai Noel, a guirlanda, as velas e etc.

A segunda ameaça é justamente por isso: desvencilhar o Natal de toda e qualquer associação não bíblica. Se de um lado, esses símbolos não são símbolos genuinamente bíblicos, por outro lado, seria o caso de abolirmos todos eles? Apesar de não serem bíblicos, muitos desses símbolos têm uma tradição por trás que nos inspira. Vejamos alguns desses:

O Dia do Nascimento

Por que foi escolhido o dia 25 para celebração do Natal? Jesus nasceu nesse dia? O dia é apenas simbólico. Nós não sabemos o dia exato do nascimento de Jesus, nem mesmo o ano exato. Por que então esse dia? Era a data que se celebrava o dia do Sol Invictus, o Sol Vencedor. Os cristãos escolheram justamente esse dia para simbolizar o nascimento daquele que é o Verdadeiro Vencedor e Soberano sobre todas as coisas.

Papai Noel
O Papai Noel não é um símbolo cristão do Natal. Hoje, pelo menos, ele é um símbolo dos shoppings ou do comércio em geral que capitaliza com seu imaginário. Existe com frequência um apelo moral à criança. Criança bem comportada recebe presente! Isto se assemelha à obediência a Deus. Ou seja, Papai Noel virou um Deus. Com isso a figura do Papai Noel é substituída pela essência da mensagem natalina que é o nascimento de Jesus, a “chegada” de Cristo ao mundo. Mas se a figura está distante do significado do Natal, está também distante da origem do Papai Noel.

A origem do Papai Noel está ligada à pessoa de São Nicolau de Mira que viveu na Ásia Menor entre 271 e 341 d.C. Ele foi canonizado pela igreja romana e hoje ocupa a função de protetor das crianças e também dos marinheiros.

A tradição diz que Nicolau quando ainda criança perdeu o pai e herdou grande fortuna. Nicolau, quando cresceu, repartia sua fortuna com quem tinha necessidade. Certa vez, a filha de seu vizinho ia casar-se, mas não poderia oferecer uma festa devido a situação econômica da família. No meio da noite Nicolau jogou pela janela do vizinho uma bolsa cheia de moedas de ouro. Ele fez a mesma coisa depois para as demais filhas, mas na terceira filha o pai descobriu que era Nicolau. A notícia se espalhou. Depois disso, Nicolau ficou conhecido por auxiliar crianças carentes e distribuir seu dinheiro aos pobres.

A partir da Idade Média é que se começa a comemorar o dia 6 de dezembro como dia de São Nicolau. Com o decorrer do tempo usava-se esse dia para distribuir presentes para crianças bem comportadas e castigo às malfeitoras.
Hoje essa figura está longe de representar aquele homem que generosamente ajudou os outros. O Papai Noel é a figura do comércio que ganha da exploração do Natal.

Não devemos nos entregar à crença e magia do Papai Noel de hoje, mas podemos aprender de sua origem a ter um espírito generoso. Acima de tudo, não devemos nos esquecer que Natal representa o nascimento de Jesus, que não deu seus bens aos pobres, mas se entregou a si mesmo por todos nós. Cristo, sim, é aquele que dá a vida por todos nós.

Como diz o cântico cristão, “Eu sei o sentido do natal, pois na história tem o seu lugar, ele veio para nos salvar, tudo ele é pra mim.”

Árvore de Natal
Desde o século XVI o pinheiro tem sido usado nas festas de Natal, mas sua origem é bem mais antiga e está associada à atividade de um cristão dos primeiros séculos, conhecido por São Vilfrido. Ele pregava o evangelho aos pagãos da Europa Central que acreditavam que um espírito residia nos velhos carvalhos da floresta. São Vilfrido não conseguia persuadir as pessoas a abandonarem aquela crença; até que um dia ele resolveu derrubar um velho carvalho. Enquanto ele derrubava, um forte raio veio a destruir o carvalho partindo em quatro partes. Um pinheirinho novo que estava ao lado do carvalho ficou, milagrosamente, intacto. São Vilfrido entendeu que isso foi a providência de Deus em preservar sua vida e mostrar que Deus era superior aos espíritos adorados através dos carvalhos.

Diante dessa experiência, São Vilfrido fez do pinheirinho o símbolo do menino Jesus. Pois, o pinheiro, mesmo no mais rigoroso inverno se mantém verde. Isso, entendia ele, simbolizava a imortalidade. O pinheiro, então, está associado à vida sem fim, vida esta que só Jesus pode oferecer àqueles que creem.

O primeiro Natal (o nascimento de Jesus), na verdade, também foi marcado por um sinal. Os magos do oriente viram a estrela brilhando e vieram a Jerusalém procurar saber onde estava o Messias. A estrela não era o Messias e, sim, apontava para o Messias. Não foram os escribas da lei, os religiosos, ou os profetas que anunciaram a chegada de Jesus. Foram magos, isto é, astrólogos pagãos do oriente que entendiam dos sinais das estrelas que anunciaram o nascimento de Jesus.

Natal consiste, de fato, em vermos um sinal e segui-lo em busca do Messias. Mas se as origens de alguns desses símbolos nos impedem de celebrar o Natal de forma genuína, o materialismo e consumismo modernos são igualmente destruidores do sentido do Natal. Ainda que na sociedade de consumo perde-se de vista o verdadeiro significado do Natal, é preciso que, justamente, a igreja de Cristo proclame ousadamente o significado dessa data e muitas vezes o fará através de símbolos e sinais. 

Fonte: Revista Ultimato

Deixe um comentário »

Os evangelizadores e os desevangelizadores

Todo mundo sabe que em todos os tempos houve falsos profetas. A presença deles na história do Antigo Testamento, na história do Novo Testamento e na história da igreja é muito desgastante. Os profetas autênticos nunca estão sozinhos: eles sofrem a pressão dos falsos profetas. Esses também não estão sozinhos: eles sofrem a pressão dos profetas autênticos. Desde o Éden é assim.

Há uma passagem curiosa em Jeremias. Deus promete dar ervas amargas para comer e água envenenada para beber aos profetas de Jerusalém porque “espalharam a descrença pelo país inteiro” (Jr 23.15).

É um crime horrível: espalhar a descrença em todo o país! Enquanto alguns pregam a fé e a esperança, outros pregam a descrença. Não é preciso criar uma palavra nova para dizer o que os pregadores da descrença estão fazendo. Ela já existe. Está no dicionário Aurélio. Os pregadores da boa nova estão evangelizando e os outros estão simplesmente “desevangelizando”. Não há o que tirar. É isso mesmo. O dicionário diz que desevangelizar, verbo transitivo direto, é “tirar a doutrina evangélica a [alguém]” ou “inutilizar a propagação de certa doutrina ou sistema”.

O público-alvo da evangelização é o descrente. O público-alvo da desevangelização é a pessoa que está a caminho da cruz. É um conflito histórico e pesado. Aquele que evangeliza cumpre o mandato de Jesus: “Vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a todas as pessoas” (Mc 16.15). Se descermos aos bastidores do inferno, descobrimos que aquele que desevangeliza cumpre o mandato do Diabo: “Vão pelo mundo inteiro e tirem o evangelho aos que estão sendo evangelizados ou inutilizem de alguma maneira a propagação do evangelho que está sendo feita”. Na parábola do semeador (Mt 13.19), “o Maligno vem e tira o que foi semeado no coração delas” (das pessoas que estavam ouvindo o evangelho). O caso é tão sério que, quando a semente nasce e cresce (para alegria do evangelizador e tristeza do desevangelizador), o próprio Diabo vem e semeia o joio para prejudicar o trigo (Mt 13.37-43).

A desevangelização conta com muito reforço: o apoio da natureza carnal do ser humano, o apoio da sociedade permissiva, o apoio da secularização, o apoio do fanatismo religioso, o apoio dos escândalos eclesiásticos, o apoio dos céticos de projeção e militância, o apoio da mentira, o apoio das potestades do ar. É possível que haja mais desevangelizadores do que evangelizadores. Quanto ao resultado, os que se deixam levar pelos desevangelizadores são um número muito maior. No Sermão da Montanha, Jesus diz que “muitas” pessoas entram pela porta larga e “poucas” pessoas percorrem o caminho estreito (Mt 7.13-14). Em outra oportunidade, Jesus afirma que “muitos são convidados, mas poucos são escolhidos” (Mt 22.14). Pedro lembra que apenas oito pessoas entraram na arca de Noé para escapar com vida do Dilúvio (1Pe 3.20).

Todavia não é preciso entrar em pânico. O desfecho da história favorece a evangelização, e não a desevangelização. Desde o primeiro anúncio do evangelho, logo após a queda do ser humano, está escrito que, embora a serpente pique o calcanhar de Jesus Cristo, é ele quem vai esmagar de vez a cabeça dela (Gn 3.15)!

Fonte: Revista Ultimato / edição julho-agosto 2016

Deixe um comentário »

Não Temas

Senhor nosso Deus, quando estamos com medo, não permitas que desesperemos. Quando estamos desapontados, não permitas que a amargura tome conta de nós. Quando nosso entendimento e nossa força se esgotarem, não nos deixes perecer! Que sempre sintamos a tua presença e o teu amor. — Karl Barth, 1886-1968 (teólogo suíço)

E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação. Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. (Lucas 1:18-30)

Uma das expressões mais frequentes que encontramos na Palavra de Deus é: “não temas”. Deus nos conhece, sabe das nossas incertezas, limitações e medos; conhece a nossa incredulidade, nossa fé tímida e insegura. Não há nada que nos console mais do que ouvir alguém dizer: “não temas”. Maria estava diante de uma situação única, sentiu-se perturbada porque não é todo dia que recebemos a visita de um anjo, muito menos com a missão que colocaria diante dela. Mas Deus conhecia o coração simples e humano de Maria e a consola com estas palavras de segurança.

“Não temas”, é o que Deus está sempre dizendo a nós diante das situações novas, imprevisíveis e ameaçadoras. A razão para não temer é porque Deus olha para nós com amor e carinho, conhece nossa estrutura e sabe que somos pó. Achar graça diante dele é ser contemplado com seu favor. Quais são as situações que você vive hoje e que precisa ouvir Deus dizer: “não temas”?

Oração: Senhor, foram tantas as vezes que te ouvi dizer: “não temas”, momentos em que o medo me dominava e o pavor me envolvia como um manto, me sentia impotente diante das decisões que precisava tomar ou das pessoas que me ameaçavam, mas o Senhor veio e sussurrou nos meus ouvidos estas palavras. “Não temas, eu sou contigo, te guardarei e te protegerei, nunca te deixarei só, jamais te abandonarei”. Louvado seja teu nome pelo consolo, força, disposição e coragem que sempre me dás. Amém.

Autor: Ricardo Barbosa de Sousa

Devocional retirada do e-book “Para Celebrar o Natal“, Editora Ultimato.

Deixe um comentário »

Qual é o sentido da vida?

Eu gosto de design interior. Não do tipo faça-você-mesmo, em que você faz aulas de restauração de mobílias e construção de deques. As ferramentas e eu temos um acordo. Elas não me perturbam, e eu não as perturbo. No que se refere a design interior, prefiro o tipo compre-você-mesmo.

No design interior, existe um conceito às vezes referido como ponto focal. Cada cômodo possui um ponto focal: um utensílio, uma parede, ou um canto para onde todo o restante aponta. Quando as pessoas entram numa sala, elas são consciente ou inconscientemente atraídas a esse ponto focal.

Por padrão, o ponto focal costuma ser a televisão. Outras vezes é uma peça artística. Ou a visão de uma janela. Ou a cabeça enorme de um alce com olhos de vidro e chifres de dezoito pontas que você acertou com seu arco e flecha numa jornada de dez dias pela floresta. Ei, não é meu caso, mas eu vivo no noroeste americano, e a gente vê coisas do tipo por aqui.

Qual o ponto focal de nossa vida? Somos nós mesmos? São nossos esforços? São nossas boas obras? Ou é Jesus?


Se Jesus é o ponto focal de nossa vida, não vivemos com base no que é terreno, aquilo que é possível ver, tocar e sentir. Não precisamos nos sujeitar às paixões e às filosofias a que o mundo ao redor se apega tão firmemente. Pelo contrário, orientamos e planejamos nossa existência em torno de verdades e princípios celestiais.


Não tenho a pretensão de ser um especialista na psicologia humana. No máximo, eu seria o sujeito no divã, não o cara na cadeira fazendo anotações. Mas sou um cara de sentimentos e sei bem quando minhas emoções saem do controle — e, infelizmente, todo mundo também sabe. Descobri que, quando isso acontece, a razão geralmente é que me esqueço do que é importante. Perco Jesus de vista. Permito que as pressões e as decepções da vida se apossem de meus pensamentos.

Alguns de nós entoamos canções todos os domingos sobre como Deus é bom e poderoso. Dizemos a Deus que lhe entregamos nossa vida. Então saímos para trabalhar na segunda e nos esforçamos e nos estressamos como se tudo dependesse de nós. Fazemos a vida girar ao nosso redor: buscamos satisfazer nossos prazeres, alcançar nossas metas, realizar as coisas por nossa força. É um dispositivo sutil e silencioso que é ligado em nossa mente de domingo para a segunda-feira, mas os resultados são nítidos: preocupação, depressão, medo, ansiedade, orgulho, raiva, impaciência, inveja, amargura, calúnia, confusão e tensão.

Não sei você, mas eu prefiro descanso, paz, clareza, alegria e propósito. Essa lista me deixa empolgado. Uma vez que Jesus é o ponto focal — uma vez que ele é o ápice da vida e o pináculo da existência —, tudo o mais faz sentido. A vida se torna simples de novo. As prioridades se encaixam no lugar, e a paz, a alegria e o descanso retornam.

“Venham a mim”, Jesus nos chama hoje. “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.”

Jesus é o sentido da vida. 

O artigo que você acaba de ler é um fragmento do livro JESUS É ___.Nele, Judah Smith esclarece a importância da mensagem de Cristo aos homens e mulheres do século 21 e revela as bases para um relacionamento genuíno com o Senhor. Ótima opção de leitura e aprendizado para os cristãos ou curiosos que desejam conhecer mais de perto o mais eloquente e singular personagem da História, Jesus. Fonte: Mundo Cristão

Deixe um comentário »

Ame, perdoe e aceite o seu irmão

Recentemente, recebi uma carta de um casal de nossa congregação que tem trabalhado pela causa do evangelho no Congo durante a maior parte de suas vidas. Ao lê-la, uma linha em particular me chamou a atenção. “Nós oramos”, escreveram eles, “para que todos nós aprendamos a amar, perdoar e aceitar mais uns aos outros no tempo que Deus nos dá”.

Este é um dos pedidos mais importantes que qualquer um de nós poderia fazer a Deus. O Senhor chama os crentes a amar, perdoar e aceitar uns aos outros, precisamente porque ele nos amou, perdoou e aceitou em Cristo. Essa é uma das verdades mais importantes que emerge em quase todas as seções de aplicação das cartas do Novo Testamento. É fundamental para o ensino do apóstolo Paulo, e não menos em Romanos, talvez a sua maior carta, do que em Efésios, Filipenses e Colossenses. O apóstolo responsabilizou a igreja em Roma com esta verdade quando escreveu: “Portanto, acolhei-vos uns aos outros como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus” (Romanos 15.7).

Não deveria ser surpresa para nós encontrarmos esta aplicação em uma carta tão cheia da verdade sobre como Deus justifica e aceita, gratuitamente, por sua graça, aqueles que creem em Cristo. Já que Deus nos recebeu para si mesmo em Cristo, devemos receber uns aos outros. No entanto, o contexto mostra que pode haver uma deficiência pecaminosa de tal recepção e acolhimento de outras pessoas no âmbito de uma igreja local.

Curiosamente, além da questão de justiça própria, o apóstolo lida apenas com outro problema pastoral na Igreja em Roma. Dizia respeito aos membros mais fracos e mais fortes se recusarem a aceitar uns aos outros. Aqueles com consciências fortes e biblicamente orientadas estavam desprezando os fracos que não tiveram suas consciências articuladas com o ensino bíblico sobre sua liberdade para comer e beber. Aqueles cujas consciências eram fracas com respeito a comida e bebida estavam julgando aqueles cujas consciências eram fortes. Paulo resumiu o problema quando escreveu: “Quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu” (14.3).

Enquanto as disputas sobre comida e bebida podem ser ou não proeminentes em nossas comunidades hoje, a questão de desprezar e julgar os outros em uma comunidade é um dos problemas perenes aos quais todos nós somos suscetíveis. Muitas vezes, só estamos dispostos a oferecer aceitação para um grupo seleto. Na nossa carne, temos a propensão de fazer amizade apenas com aqueles que pensamos ter virtudes que acreditamos que estão em nós mesmos ou que queríamos que fosse verdade sobre nós mesmos. Convencemo-nos de que só temos que aceitar aqueles com valores semelhantes ou virtudes aparentes. No entanto, isso não é aceitação, é afinidade. Enquanto ensinava a seus discípulos esse princípio, nosso Salvador perguntou: “E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo?” (Mateus 5.47).

O evangelho nos cura de nossa propensão pecaminosa por mostrar um tratamento preferencial ao selecionar os crentes (Tiago 2.8-13). Quando nos lembramos de que nos tornamos recebedores da graça de Deus por virtude da morte sacrificial de Jesus, vamos querer estender graça para outros crentes. Quando reconhecemos que Jesus morreu por nós quando éramos completamente desagradáveis e contrários a ele (Romanos 5.6-11), a fim de nos reconciliar com Deus através de sua morte expiatória e propiciatória pelo nosso pecado, ficamos ansiosos para acolher a todos “por quem Cristo morreu” (14.15). Quando damos atenção ao fato de que “Cristo não se agradou a si mesmo”, antes, tomou sobre si as injúrias com que ultrajavam a Deus (15.3), tornamo-nos zelosos em suportar as fraquezas e falhas dos outros para o bem deles.

O acolhimento que recebemos de Cristo é um acolhimento que ama, perdoa, edifica e cresce. Que Deus nos dê a graça de acolher todos os outros crentes, já que ele tem nos acolhido em comunhão consigo mesmo pela morte sacrificial de Cristo na cruz.

Por Nicholas Batzig / Tradução: João Paulo Aragão da Guia Oliveira / Revisão: Yago Martins / Original: Welcome One Another Fonte: Ministério Fiel

Deixe um comentário »

Levar as cargas uns dos outros é cumprir a lei de Cristo

A epístola aos Gálatas é famosa pelas explicações e esclarecimentos de Paulo sobre o evangelho para aqueles que tinham sido confundidos por falsos mestres. Esse evangelho é a mais sublime exibição do amor de Deus (cf. Romanos 5.8; 1João 4.10), por isso não é surpreendente que depois de esclarecer o evangelho, Paulo esclareça o que é o próprio amor. Aqueles que sabem que Cristo os amou levando a carga de seu pecado também sabem que o amar é levar as cargas de seus irmãos e irmãs na igreja. Amar uns aos outros desta maneira é “cumprir a lei de Cristo” (cf. Gálatas 6.2). Isto significa que o amor tem um novo significado para os cristãos.

O amor não é um sentimento

É fácil entendermos errado o que é o amor. Sentimo-nos mal por causa de alguém e já pensamos que amamos essa pessoa. Temos empatia com a situação de alguém e consideramos isso como amor. Queremos ajudar, mas não ajudamos; então nos consolamos, dizendo: “Pelo menos eu me importei”. Nada disso se qualifica como amor, no sentido bíblico. O amor é definido por aliança e ação. A emoção pode acompanhar o amor, mas mera emoção não é suficiente. Na verdade, o verdadeiro amor persiste quando as emoções falham. Servir um ao outro “pelo amor” (Gálatas 5.13) e “cumprir a lei de Cristo” (cf. João 13.34; 15.12) é tirar um fardo dos irmãos.

Com o que se parece levar as cargas uns dos outros, amar “de fato e de verdade” (1João 3.18)? Quando você imagina que alguém pode precisar de uma carona da igreja para casa, você se oferece para levá-lo. Quando você quer saber como alguém está passando, você liga para essa pessoa. Quando você pensa no peso que o conserto do carro deve ter sido nas finanças do seu próximo e pode fazer algo para aliviar a dor, você assina um cheque. Quando você se pergunta se alguém mais vai ajudar, você se lembra de que você é esse alguém. Você ajuda. Há infinitos cenários possíveis que nos chamam a levar os fardos uns dos outros. O ponto é que o amor não se contenta com sentimentos, ele impulsiona à ação.

O amor marca a igreja

A igreja local é eminentemente um lugar de amor. Paulo dá à família da igreja uma prioridade especial: “Portanto, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gálatas 6.10). Assim como facilmente entendemos errado o que é amor, podemos facilmente entender errado o que é comunidade. Uma comunidade não é baseada em preferências, mas no vínculo do Espírito. Nosso comportamento padrão é cuidar daqueles que se parecem conosco e perguntar sobre as necessidades daqueles cuja companhia mais gostamos. Mas o Espírito nos compele a carregar os fardos uns dos outros na igreja, simplesmente porque eles são um conosco em Cristo. Nós amamos os outros na igreja como Jesus nos amou (João 13.34), levamos os fardos de suas fraquezas, seus pecados e suas impurezas. Vemos esses fardos de nossos irmãos e irmãs não como imposições sobre a nossa vida, mas como oportunidades para o nosso amor.

O amor é um testemunho para o mundo

Levar as cargas uns dos outros é “cumprir a lei de Cristo”. Esta lei de Cristo é (muito provavelmente) a ordem que Jesus deu de “amar uns aos outros” (João 13.34). Cumprir esta lei é um testemunho: o mundo saberá que somos discípulos de Jesus quando nós a observamos (v. 35). 1João 4.12 diz: “Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado”. Deus quer esse mundo quebrado e fragmentado veja o amor de seus filhos ao levar as cargas uns dos outros. O mundo não precisa procurar além da família da igreja para ver um exemplo do amor de Deus em Cristo.

Como pastor de uma congregação amorosa, tenho recebido muito amor dessa forma ao longo dos anos. Enquanto escrevo este texto, estou com meu filho Jacob no Hospital Infantil da Filadélfia. Esta estadia não é sua primeira, e não será a última. Tenho toda a confiança que ele está sendo sustentado em oração, que há refeições prontas para serem feitas a qualquer momento e que a ajuda de transporte para o resto da família está disponível. Este amor carregador de fardos fez com que esses exames médicos se tornassem ocasiões de comunhão mais profunda entre nossa família e a igreja.

E não somos os únicos. Tenho visto nossos membros aliviarem encargos financeiros através do fundo dos diáconos, ajudarem famílias durante fases de agudo estresse financeiro ou emocional, reformarem espaços de vida para os doentes ou deficientes, buscar pessoas para irem à igreja e realizarem inúmeros outros atos de amor. Este é o amor que leva as cargas, e ele está acontecendo em todo o mundo nas congregações locais. Então, se você tem cargas, torne-as conhecidos; se você souber das cargas de alguém, leve-as em amor. Porque, se nós amarmos uns aos outros, o mundo saberá que somos seus discípulos.

Por James Harvey / Tradução: João Paulo Aragão da Guia Oliveira / Revisão: Yago Martins / Original: Bear One Another’s Burdens / Fonte: Ministério Fiel

Deixe um comentário »

Jejum não é (apenas) deixar de comer

Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome. Lucas 4.2

Jesus não só passa quarenta dias longe das pessoas, em silêncio; ele também jejua (Lc 4.2). Um jejum de quarenta dias! Provavelmente bebendo apenas água. É uma espiritualidade bem distante da nossa, pelo grau de ascetismo. Afinal, Jesus é uma figura bem oriental. 

O que podemos tirar disso? Em primeiro lugar, o reconhecimento da estranheza. Olhar a vida de Jesus é uma experiência transcultural. É pelo confronto com o estranho que chegamos a questionar a “naturalidade” da nossa própria maneira de viver. Se Deus realmente se encarnou, ele o fez num determinado contexto cultural. Esse contexto não é o nosso e não devemos tentar imitá-lo artificialmente. Mas devemos — isso sim — ser contraculturais em nosso próprio contexto (Rm 12.2). Não significa cercear a vida com uma lista de proibições, mas elaborar um estilo de vida regido pelos critérios do reino de Deus. Assim, entre outras coisas, daremos valor a certas práticas que a nossa sociedade e — possivelmente a nossa igreja — não costumam valorizar. Uma dessa práticas é a da “renúncia ascética”.

A palavra “ascese” (ou “ascetismo”) vem do grego “askesis”, que significatreinamento”. Como cristãos modernos, desconfiamos do ascetismo por várias razões. Primeiro, alguns ascetas na história da igreja realmente agiram como se o mal estivesse no corpo e nas coisas materiais em si. Porém, não precisamos de um ascetismo motivado pela desconfiança diante da boa criação de Deus, mas pelo chamado e exemplo de Jesus. Segundo, achamos que o ascetismo é uma tentativa de merecer a própria salvação. Não é; é apenas o esforço de levar o discipulado a sério. Terceiro, e mais importante, evitamos o ascetismo porque ele vai contra tudo que a nossa sociedade frenética e consumista nos recomenda. Por isso, apesar de crermos teoricamente que o homem é um ser integral e nos opormos ao dualismo de corpo e alma que os cristãos mais legalistas demonstram, somos também dualistas práticos porque achamos que aquilo que fazemos com o corpo não tem influência fundamental em nossa vida espiritual. Antes de mais nada, a comida, o sono, o sexo, o trabalho, o silêncio, o luxo são questões espirituais. Na religião bíblica, tudo passa pela matéria e pelo corpo: Deus, a Bíblia, a santidade, a oração.

O ascetismo, na concepção cristã, é “positivo”.

[Para os monges do deserto, era um] meio para libertar-se de suas servidões interiores a fim de estarem totalmente disponíveis para Deus e para os outros.

[Não imitamos os excessos ascéticos de alguns daqueles monges, mas o importante são os valores que os motivavam.] A ascese realça sobretudo a renúncia corporal e exterior. Sua intenção fundamental é assumir um estilo de vida radicalmente diverso do mundano […]. Hoje também necessitamos de ascese se não quisermos ser engolidos pela “mundanidade”.1

Nosso combate ascético é contra a carne, não contra o corpo em si. “Carne” não é o mesmo que “corpo”. A palavra carne [no Novo Testamento] […] significa tudo em nós que é pecaminoso e contrário a Deus; por isso não é só o corpo mas também a alma do homem caído que se tornaram carnais […]. A negação ascética de si mesmo […] não é uma luta contra o corpo, mas pelo corpo […]. Mate a carne para adquirir um corpo.2

Uma das armas nessa aquisição de um corpo, de um estilo de vida radicalmente diverso do mundano, é o jejum. Em geral, vivemos numa rotina impensada de satisfação dos nossos apetites. O jejum quebra essa rotina, interrompe o ciclo automático, e coloca uma espécie de muro à nossa frente pela interdição do impulso de comer. As energias assim bloqueadas podem voltar-se para Deus. Desligamos as antenas ocupadas com os cuidados diários e tentamos sintonizá-las na voz de Deus.

O jejum não é, como alguns pensam hoje, uma armacontra Deus” (no sentido de manipulá-lo), mas uma arma a favor de “nós mesmos”, um meio de revelar aquilo que nos controla e de lembrar-nos de que a vida é um dom divino.

O jejum e a parcimônia no comer e no beber fortalecem o domínio de si mesmo e o desenvolvimento das faculdades espirituais […]. É também um caminho de penitência e purificação, e uma forma de oração pela qual nos dispomos à misericórdia de Deus […]. Além disso, [para os monges do deserto] o jejum esteve muito ligado à solidariedade: era uma maneira de economizar a fim de compartilhar seu alimento com os pobres […].

[Ao contrário do jejum político, a greve de fome] o jejum religioso tem em vista, em primeiro lugar, os próprios pecados e não os pecados dos outros, e está motivado na conversão para crescer no amor […].3

O princípio do jejum se estende ao ato de comer em geral. Hoje em dia, até nos espantamos com a ideia de que a gula seja um dos tradicionais “sete pecados capitais”.

Aqueles que vão ao culto depois de haver comido pesadamente se impõem um fardo prejudicial; insensibilizam o coração na oração, e obstruem o acesso de pensamentos e sentimentos santos.4

Frases como essa nos parecem extremamente exageradas. Cheiram a uma espiritualidade antiga, doentia, até legalista. Mas será que eles, pelo menos em alguns casos, não tinham uma visão mais integral do homem do que nós?

O princípio do jejum também se estende para além da questão de comida e de bebida. Richard Foster, autor quacre do livro “Celebração da Disciplina”, escreveu um artigo intitulado “Jejum: estilo século vinte”.5 Segundo ele, a ideia central no jejum é “a negação voluntária de uma função normal por causa de uma atividade espiritual intensa”. Essa ideia pode ser estendida a outros tipos de “jejum”. Foster sugere seis:

1) “Jejum de pessoas”. Não para ser antissocial, mas para poder amá-las mais e deixar de “consumi-las” para o nosso próprio proveito. A disciplina da solidão complementa a disciplina da comunidade. Para quem não aprendeu a estar com as pessoas, a solidão será perigosa, porque o separará da humanidade sofredora. Mas quem não aprendeu a estar só, não terá condições de ajudar as pessoas, porque trará sempre a seus relacionamentos a sua própria desintegração interior, divisão e multiplicidade. Não saberá ouvir e estar realmente presente para a outra pessoa.

2) “Jejum da mídia”. Por que Deus nos fala tanto em retiros e acampamentos, mas raramente no dia a dia? É ele quem deixa de falar, ou nós que deixamos de ouvir? Necessitamos de períodos de tempo sem distrações.

3) “Jejum do telefone”. Para atender ao telefone, interrompemos os momentos preciosos com a família e até as nossas orações! Tudo porque “pode ser importante”.

4) “Jejum de conversas”. Principalmente pastores, políticos e professores, que vivem pela sua facilidade com as palavras, precisam ter tempos de silêncio. No silêncio, ficamos desamparados e impossibilitados de justificar os nossos atos. Gandhi, no auge de sua atividade política pela independência da Índia, praticava um dia de silêncio por semana.

5) “Jejum dos anúncios comerciais”. O efeito deles é principalmente subliminar. Quando não é possível deixar de ver, que eles sejam para nós sinais de outra realidade, na qual o consumismo cede lugar ao serviço e à simplicidade de vida.

6) “Jejum do consumo”. Deixar de consumir para poder enxergar a realidade de um mundo de desigualdades quase inimagináveis. Para deixar de nos comparar sempre com os de cima, atiçando o desejo de adquirir, e nos comparar com os de baixo, colocando as coisas em suas devidas proporções.

Notas

  1. GALILEA, Segundo. A sabedoria do deserto. São Paulo: Paulinas, 1985. p. 56.
  2. WARE, Kallistos. The orthodox way. Oxford: Mowbray, 1979. p. 56.
  3. GALILEA, Segundo. Op. cit., p. 57.
  4. GRISBROOKE, W. Jardine, org. The spiritual counsels of father John of Kronstadt. Londres: James Clarke, 1966. p. 57.
  5. FOSTER, Richard. Fasting: twentieth century style. TSF Bulletin, p. 14-16, nov./dez. 1983.

Texto retirado do livro Nem Monge, Nem Executivo (Editora Ultimato).

  • Por Paul Freston, inglês naturalizado brasileiro, é professor colaborador do programa de pós-graduação em sociologia na Universidade Federal de São Carlos e professor catedrático de religião e política em contexto global na Balsillie School of International Affairs e na Wilfrid Laurier University, em Waterloo, Ontário, Canadá. 

Fonte: Revista Ultimato

Deixe um comentário »

Você realmente crê no milagre?

“Vendo a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com Jesus” (At 4.13).

Nossa oração precisa ter ousadia, coragem. Muitas vezes, ficamos paralisadas por problemas e preocupações, somos afrontadas pelo Inimigo e nos esquecemos de quem está em nós, quem peleja por nós e a quem estamos orando.

Precisamos nos fortalecer no Senhor e pedir-lhe que aumente nossa fé, para que oremos corajosamente, com intrepidez, a fim de defender nossas causas, expor nossos motivos e deixar que todos saibam que, assim como Pedro e João, também andamos com Jesus.

Alguns anos atrás, passei por uma experiência extraordinária de saber como Deus honra nossa ousadia e coragem pelas causas que estão em conformidade com sua vontade. Eu era presidente do conselho missionário de nossa igreja, a qual contava com uma missionária que atuava no exterior. Em uma de suas viagens a outro país, essa irmã contraiu uma doença gravíssima, a ponto de perder o bebê que trazia no ventre. Quando tomamos conhecimento do fato, iniciamos contatos com o hospital onde ela estava internada, em um país muito distante do Brasil. Também precisávamos acionar a operadora de seu plano de saúde internacional. Tudo era urgentíssimo e, para complicar, era véspera de Natal, época em que todo mundo está envolvido com atividades em excesso.

Mas não havia jeito: tudo tinha de ser resolvido naquela manhã. Fui à igreja e lá encontrei o dono da livraria local e a esposa de um dos pastores auxiliares. Chamei-os até a sala onde funcionava o conselho missionário e disse-lhes: “Vocês se lembram da passagem de Atos dos Apóstolos em que os discípulos de Cristo falavam e as pessoas entendiam em sua própria língua? Pois bem, precisamos de um milagre desses agora. Vocês vão orar ao Senhor e eu vou ligar para a seguradora em Londres. É véspera de Natal, mas é preciso que eles ainda estejam lá. Segundo, vou falar um inglês técnico, específico; eles precisam entender o que vou dizer e eu preciso entender o que eles vão dizer para resolvermos a situação. Precisamos tirá-la com urgência do país onde está e levá-la para um centro maior”.

Eles apenas balançaram a cabeça, afirmativamente, mas tenho certeza de que, no coração, já estavam plenos do Espírito e prontos para a batalha. Eu liguei. O telefone chamou diversas vezes, sem que ninguém atendesse. Comecei a gelar. Até que alguém atendeu no inglês mais formal que eu já havia escutado na vida. Apresentei-me, expliquei o motivo do telefonema e a conversa fluiu de ambos os lados. O milagre estava acontecendo.

O resultado daquela oração feita com ousadia foi este: conseguimos confirmar a retirada da missionária do hospital e o traslado para outra cidade. Para que não tivéssemos dúvida de que Deus estava à frente de tudo, o senhor que falava comigo me pediu desculpas pela demora em atender, explicando que já estava de saída e que o escritório só abriria novamente após o Ano-Novo. No entanto, como o telefone tocou demais, ele decidiu voltar e atender. Os dois guerreiros de oração ao meu lado não entendiam uma palavra, mas oravam, ousadamente, corajosamente, confiando no Deus que era, é e para sempre será o mesmo.

Trecho do livro Mães de joelhos, filhos de pé – O que acontece quando você ora, escrito por Nina Targino. Fonte: Mundo Cristão

Deixe um comentário »

Deus nunca desiste de amar você

Deus não abre mão do direito que tem de conquistar você com seu amor. Ele não desiste de você. Seu amor por você é eterno e incondicional. Deus amou você não porque você mereça esse amor.

A causa do amor de Deus está nele mesmo. Seu amor por você é perseverante. Deus nunca recuou nessa disposição de amar você. O amor de Deus por você é provado. Não amou apenas de palavras, mas provou seu amor, dando seu Filho Unigênito para morrer em seu lugar.

O amor de Deus por você é sacrificial, pois, ele não poupou a seu próprio Filho, antes o entregou à morte e morte de cruz para que você pudesse ter vida eterna. Oh, sublime amor! Eterno amor! Inexplicável amor! Você acha pouco o fato de ser amado por Deus? 

FONTE: GUIAME, Por HERNANDES DIAS LOPES

Deixe um comentário »

%d blogueiros gostam disto: