Drogas: Uma doença social

Muitos jovens estão morrendo todos os dias por conta do envolvimento com drogas. Os noticiários nos mostram isso com clareza. As mortes devido aos danos causados à saúde do indivíduo são pouco retratadas. Mas as relacionadas à necessidade de ter dinheiro para manter o vício, pagar as dívidas, sim, ceifam centenas no Brasil todos os meses. O Relatório Mundial sobre Drogas, divulgado pelas Organizações das Nações Unidas (ONU), aponta que uma em cada 100 mortes entre adultos é causada pelo uso de drogas ilícitas. O consumo de drogas no Brasil já ultrapassou todos os limites previstos para essa era moderna. O descontrole é tanto que dificilmente encontraremos alguém na rua que não conheça quem teve ou esteja sofrendo com o problema. Pesquisas tentam desvendar o motivo de tanta necessidade desse consumo e como ele alcança rapidamente todas as regiões. Vamos citar uma das mais amplas e recentes.

Segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e divulgado ano passado, o Brasil é o segundo maior consumidor de cocaína e derivados, atrás apenas dos Estados Unidos. Hoje o país responde por 20% do mercado mundial da droga. Ao todo, mais de 6 milhões de brasileiros já experimentaram cocaína ou derivados ao longo da vida. Entre esse grupo, 2 milhões fumaram crack, óxi ou merla alguma vez e 1 milhão foi usuário de alguma dessas três drogas no último ano. Outra parte do estudo da Lenad relata que 8 milhões de brasileiros já experimentaram maconha – droga considerada “leve”. A maioria, 62%, antes dos 18 anos. Desses 8 milhões, 37% admitem que hoje são dependentes da droga e 2 milhões de pessoas usam tanto maconha quanto cocaína. O contato com a droga começa cedo: quase metade (45%) dos usuários provou a substância pela primeira vez antes dos 18 anos. Essa experimentação precoce, de acordo com os pesquisadores, aumenta o risco do uso de outras drogas ao longo da vida e da incidência de doenças psiquiátricas.

A sociedade parece estar dividida entre a que sofre e a que ainda vai sofrer com o uso de drogas lícitas ou ilícitas. “O consumo é muito maior do que as pesquisas apontam. É só olhar nas praças, nos becos, nos cantos das cidades, nas festas, nas rodinhas nos condomínios… as drogas estão por toda parte”, revela o pastor Marcelo Lyra de Carvalho, diretor do Centro de Recuperação de Dependentes Químicos Vale da Bênção, em Cariacica. Com experiência acumulada de quase 10 anos nessa área, o Pastor Marcelo usa a própria história para ajudar outros homens a superar o vício. “Usei vários tipos de droga dos 13 aos 26 anos. Sei o quanto é difícil deixar de sentir aquela sensação. Mas é possível ser liberto. A receita está na Bíblia”. Para dependentes de drogas, a saída não é fácil. Internar um filho viciado, como muitos pais têm feito hoje, é uma atitude que até pouco tempo atrás era definida como exagerada. “A família não aceitava o problema com facilidade. Ainda hoje muitos pais sustentam o vício dos filhos. Quando a situação fica insustentável e o dependente vira um ‘lixo humano’, a família acorda”, disse o pastor Geraldo Luiz Casagrande, diretor do Instituto Neemias, que atende dependentes e moradores de rua em Cariacica.

“A família precisa se comunicar mais. Pais precisam observar e orientar os filhos. Quanto menos diálogo, mais suscetível eles estão às amizades e influências. A falta de atenção da família pode levar a pessoa a ficar por muito mais tempo no universo das drogas, buscando lugares onde seja aceito”, lembra o psicólogo e especialista em dependência química Glauber Rezende. 

Para o pastor Charles de Miranda Terra, diretor do Centro de Recuperação Vida com Jesus, em Cariacica, tanto os cristãos quanto a sociedade precisam despertar para ajudar os usuários de drogas. “Toda a sociedade sofre com esse flagelo. Mas vemos muita indiferença até mesmo das igrejas. Parece que só vão despertar o dia que a droga entrar na casa deles. E não deve ser assim. Jesus nos ensinou a amá-los”.

A fé é uma ferramenta poderosa que está retirando muitos jovens do mundo das drogas e do crime. “As igrejas evangélicas despertaram para esse público há muito tempo, antes mesmo que o poder público”, destaca o Pastor Geraldo Casagrande. Mas, segundo ele, precisam fazer mais. “Precisamos de campanhas, ações nas comunidades, conscientizar os jovens no local que ele vive, usar a estrutura da igreja para palestras, eventos esportivos e sociais que atraiam e orientem o cidadão”.

Fonte: Comunhão / Imagem: Projeto AMIGOS na comunidade Ponte Preta em Olinda

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