Projeto AMIGOS

Somos um grupo de voluntários com o propósito de reunir pessoas envolvidas com a obra missionária, visando à promoção de ações sociais.

Evangelização dos Povos Indígenas

em 1 de março de 2015

Ronaldo Lidório e Rossana são missionários da APMT (Agência Presbiteriana de Missões Transculturais), iniciando um trabalho em Gana, na África, no ano de 1994, com um trabalho intenso desenvolvido com tribos Konkombas e Chakalis. Foram anos de muitas lutas e conquistas, mas todas norteadas por Deus, como revelam os missionários, que hoje estão no Brasil, trabalhando em novo campo missionário, com tribos indígenas.

“Em 2001 percebemos que, pela graça de Deus, a Igreja Konkomba já caminhava com uma liderança própria que amava a Cristo e norteava o rumo do crescimento da igreja. Eram 87 líderes a frente de 30 igrejas locais. Por um lado nos alegramos e, por outro, sentimos a necessidade de pensar nos próximos passos. A APMT e AMEM (A Missão de Evangelização Mundial) sinalizaram interesse em investir esforços nos povos indígenas do Brasil e, assim, voltamos ao nosso país para iniciar algumas pesquisas de campo e avaliar as reais necessidades. Logo na primeira pesquisa de campo Rossana e eu nos deparamos com um grande campo ainda não evangelizado na região do Rio Negro” expresou Ronaldo.

Com a volta do casal ao Brasil, iniciaram o Projeto Amanajé, formando uma equipe com outros missinários. Hoje o projeto conta com 40 missionários atuando em 12 diferentes etnias indígenas. Ronaldo e Rossana trabalham com grupos indígenas onde outros missionários atuam em diferentes regiões, mas em algumas localidades, os missionários do Amanajé são os primeiros a chegar em aldeias que nunca teve a presença de missionários.

De acordo com Lidório, a equipe é sempre encorajada pelo trabalho já realizado entre indígenas no Brasil nas últimas décadas, e entre esses exemplos está Sophia Muller, missionária que atuou entre os Baniwa e Kuripako junto à Missão Novas Tribos. “Durante décadas Sophia Muller dedicou sua vida para evangelizar estes dois povos, em lugares remotos da floresta, transitando com canoas a remo visitando as aldeias de dia, e de noite, durante as viagens traduzia o Novo Testamento para a língua Kuripako, à luz de lamparina”, declaram Rossana e Ronaldo. Certa vez, quando a missionária Sophia foi interrogada a respeito do seu chamado missionário, respondeu: “Comigo não aconteceu nada especial, eu só li uma ordem ‘ide por todo o mundo’ e obedeci”.

A equipe Amanajé e os desafios

A equipe Amanajé trabalha em 11 frentes evangelizadoras e 7 programas sociais, em 12 diferentes etnias. Um dos motivos de alegria entre os missionários, segundo Ronaldo Lidório, são as 4 igrejas indígenas plantadas e o desenvolvimento de líderes locais em várias áreas. “Nas iniciativas sociais atuamos com alfabetização na língua materna, projetos de subsistência, comércio justo, valorização cultural e também assistência de saúde. Estas são ações que enchem o coração”, afirma o casal de missionários que salientam, ainda, que o desafio mais constante é vencer as distâncias e dificuldades de acesso para interagir com as etnias indígenas, pois envolve viagens longas e, não raramente, arriscadas para muitos da equipe.

“A evangelização, discipulado e treinamento de líderes indígenas é uma constante que passa por barreiras naturais como a língua e cultura, e que demanda atenção. As pesquisas étnicas também são fundamentais para os novos passos, novas iniciativas” ressalta Ronaldo.

Um trabalho de profundo relacionamento e constante interação com os povos indígenas necessita de um conhecimento adequado. Foi pensando nisso que Ronaldo e Rossana vieram ao Brasil e dedicaram tempo para se enquadrar a essas peculiaridades.

Segundo Lidório, antropólogo, o termo “indígenas” é genérico para se referir a todos os grupos étnicos distinto, que são 340, somente no Brasil. Entretanto, cada grupo possui sua própria cultura, vivência e organização social. Há 185 línguas indígenas no Brasil, o que é outro marcador de diferenciação étnica. Ronaldo explica: “Na conclusão de nossa mais recente pesquisa (Relatório Indígenas do Brasil 2010 www.indigena.org.br) expomos um pouco da peculiaridade dos grupos que formam este heterogêneo universo. Há grupos de pescadores, enquanto outros são caçadores, plantadores ou coletores. Há grupos que vivem nas beiras dos rios e outros que tradicionalmente habitam o interior da floresta. Há 111 etnias indígenas em processo de urbanização, que privilegiam o Português e assimilam os elementos externos do não índio. As diferenças das tribos vão além, pois, enquanto alguns grupos são inclusivos e procuram a aproximação, outros se distanciam em processo de reclusão. Cada grupo possui sua própria identidade.

As igrejas e o envolvimento com missões

Ronaldo e Rossana têm recebido convites para visitar igrejas, conferencias e congressos no Brasil e no exterior, para compartilhar o que Deus tem realizado nos campos onde atuaram e atuam.

No último domingo, 28 de Junho, Ronaldo Lidório esteve na Igreja Presbiteriana de São Bernardo do Campo, em São Paulo, enquanto Rossana visitou a Igreja Presbiteriana da Penha, também em São Paulo.

Rossana recalcou que “a motivação para fazer a obra, é o Amor a Deus”. A missionária também compartilhou que essa motivação é fruto do que Deus já realizou em sua vida, e citou a frase do fundador da missão AMEM, Charles Stud, que disse: “Se Jesus Cristo é Deus e morreu por mim, não há sacrifício grande demais que eu não possa fazer por Ele.”

Para Ronaldo, quem deseja trabalhar com os povos indígenas precisa se conscientizar de que é um trabalho de longo prazo, em áreas com complexidade sociocultural, linguística, política e de acesso, pois, exige o aprendizado de uma outra língua e vivência em outra cultura, além de longas viagens em contexto geralmente incerto. “É sem dúvida um trabalho bastante relacional, que envolve espírito evangelizador e sensibilidade social. Eu diria, portanto, que o perfil seria alguém desejoso de lidar com outras línguas e culturas, aberto a uma vida de viagens, flexível em seus planos, comprometido a este trabalho por um período não inferior a 5 anos e, sobretudo, com clara direção do Senhor para tal passo”, defende Ronaldo.

O missionário ainda esclarece que, o que segura um missionário no campo não é o envio da igreja ou o apoio da equipe, mas sim a convicção do chamado do Senhor.

O interesse missionário ainda deve ter alguns preparos importantes na vida espiritual, além de toda a preparação de estudo e conhecimento de campo. Para Ronaldo e Rossana, o ideal seria um preparo teológico com ênfase em missiologia, seguido de um treinamento linguístico e capacitação antropológica, que aborda áreas chaves no preparo para um trabalho transcultural. “As habilidades e treinamentos em outras áreas certamente também são muito úteis como educação, administração e saúde, por exemplo, completam.

Ronaldo lembrou que “Dra. Fracis Popovich dizia que Deus usa tudo aquilo que aprendemos. Do ponto de vista do preparo pessoal, é importante que, no caso de um casal, ambos tenham o desejo e direção do Senhor para tal passo (quem sabe um estágio no campo seja útil), pois, ambos passarão pelos mesmos desafios. Quanto ao preparo ministerial seria interessante que tivessem alguma experiência na evangelização, discipulado ou plantio de igrejas antes da chegada no campo”, opinam os missionários.

Quando questionados sobre os aspectos fundamentais que devem estar presentes em quem anseia ir ao campo, Rossana e Lidório indicam que alguns são essenciais, como a “convicção do chamado do Senhor (Efesios 4:11), o envio da igreja, a partir do reconhecimento deste chamado ministerial (Atos 13:1-3), ser crente maduro, com família que segue a Cristo (Tito 1 e 2) e ter motivação para a evangelização onde Cristo não fora anunciado (Romanos 15:20)”.

Os desafios sempre presentes

As igrejas Presbiterianas no Brasil têm recebido informações missionárias por meio da APMT e JMN (Junta de Missões Nscionais), e podem criar parcerias importantes com outras Agência para ampliar, ainda mais, as conquistas e colaborar efetivamente para os bons resultados missionários.

De acordo com Ronaldo e Rossana, o trabalho indígena é uma desafiadora tarefa inacaba no Brasil. Há ainda 147 etnias sem presença missionária, sendo 95 conhecidas. Há 121 etnias que foram pouco ou nada evangelizadas, 38 línguas sem nenhuma porção da Palavra do Senhor, 99 etnias com igreja indígena presente, mas sem liderança própria (ou curso bíblico disponível). “Devemos continuar a olhar para os campos brancos, perto e longe, seguindo o critério bíblico da prioridade evangelizadora: onde Cristo ainda não foi anunciado (Romanos 15:20). Isto pode ser do outro lado da rua ou do outro lado do mundo”, completa Ronaldo.

Atitudes práticas para o envolvimento missionário

O encorajamento é uma necessária ferramenta que precisa vir das igrejas para apoiar os missionários em campo. Rossana e Ronaldo acreditam que nenhum ministério é fácil, seja em uma igreja urbana ou em uma etnia indígena na mata, todos passam por dias bons e dias maus e, não raramente, com desafios maiores do que as forças aparentemente disponíveis. “Além das orações e apoio, todo ministro necessita ser encorajado. Frequentemente uma simples carta, telefonema ou abraço amigo contribui muito para a caminhada”, defendem.

O envolvimento da igreja é essencial para despertar os membros, através de informações que gerem oração, envolvimento pessoal e também direcionamento de vocações para estes campos.

A APMT possui em seu site (www.apmt.org.br) um acervo muito útil de informações sobre os desafios transculturais.

“Sobretudo, porém, creio que há duas ações que levam a igreja a se envolver realmente com a obra missionária: a primeira é a exposição bíblica e a segunda a oração. Uma igreja que ouve o que a Palavra diz a respeito da missão, e que intercede junto ao Senhor pela mesma, não deixa de se envolver com o mandato de Cristo”, enfatiza Ronaldo.

Nesse novo desafio, entre os povos indígenas, Ronaldo e Rossana Lidório têm enfrentado dificuldades em diferentes escalas. Para Ronaldo, o maior desafio são os perigos que o, cristão está sujeito, como a dispersão em meio ao ativismo, “Há tantas demandas, necessidades e oportunidades ao nosso redor que podemos nos ocupar demais com assuntos secundários que, por sua vez, drenam nossas energias, tempo e recursos. Talvez este seja nosso desafio pessoal, de resgatarmos o que é essencial” complementam.

Ronaldo conta que tiveram um abençoado encontro com indígenas evangélicos em 2008, nos derredores de Manaus, no acampamento da Igreja Presbiteriana de Manaus. “No último dia o cacique Ixkaryana me procurou e disse que estava contente porque haviam compreendido o que de fato era importante em suas vidas. Perguntei-lhe o que seria ao que ele respondeu: “Conhecer a Cristo, na Palavra; viver como Cristo, em nosso dia a dia; e proclamar a Cristo em todo lugar”, contou Ronaldo.

Para ele e para Rossana, é preciso resgatar uma simplicidade cristã que desemboca no estudo da Palavra, em um caráter transformado e no empenho de anunciar, a tempo e fora de tempo, o Nome acima de todo Nome: Jesus. Rossana, deixou uma reflexão na igreja em que esteve, alertando sobre o agir. Segundo ela, o amor a Deus nos leva a ter uma atitude prática, e citou o texto de João 21:15-17. Explicando, Rossana retirou do texto uma importante lição: “Cada vez que Jesus perguntou para Pedro “Tu me amas?” e, ouvindo a resposta dele, Jesus respondeu com um verbo ‘cuide, pastoreie, cuide’, é o que devemos fazer se nossa resposta é “Sim Senhor, tu sabes que te amo”.

Fonte: Creio

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