A cultura indígena e a necessidade do evangelho

Falar em cultura indígena é simplesmente colocar diante de nós uma montanha de informações, com uma centena, senão milhares, de indagações – Como surgiu este ou aquele povo? Quais as peculiaridades de cada nação indígena, de sua língua, de seus costumes etc.?

Ao se abordar assuntos relacionados ao índio ou a grupos indígenas, a idéia inicial é sempre que lhes falta capacidade, que o índio não tem um padrão de vida elaborado. Isso acontece porque a visão de “cultura” sempre foi ligada à capacidade de desenvolvimento. Assim, os grupos tribais que não tinham capacidade para se desenvolver foram chamados de “povo sem cultura”. Aliás, a impressão que os visitantes europeus desenvolviam a respeito dos índios foi incapaz de anular a carga de preconceitos que esses traziam consigo quando chegavam ao Brasil. Assim, as variedades culturais foram vistas como impedimento ao progresso, fazendo com que esses povos, até então de existência ignorada, se submetessem às suas formas de vida. A cultura que chegou com as caravelas vê a terra como propriedade individual e intransferível. Mas, para o índio, essa terra é o lugar de sua sobrevivência onde frutifica a sua cultura.

Por muito tempo, as escolas seculares corroboraram para que fosse desenvolvida uma mentalidade errônea acerca do indígena. Esse desacerto criou estereótipos. Muitas gerações se formaram tendo apenas o livro didático como fonte de informações sobre os povos indígenas. E nem sempre essas informações traziam uma visão realista. “Selvagem”, “preguiçoso” e até “sem alma” foram rótulos que estigmatizaram os índios, por séculos, alimen¬tando preconceitos que vigoram até hoje. A contestação à figura do índio que era pintada nos livros didáticos começou a surgir nos anos 70, quando di¬ferentes etnias passaram a mostrar que podiam ler, escrever e dominar áreas que, até então, eram exclusivas dos moradores da cidade. Esses avanços se deram graças ao trabalho de missionários evangélicos, que encararam o indígena como um ser humano e não apenas como um produto da natureza.

Como toda cultura, as diversas culturas indígenas têm o seu lado positivo e seu lado negativo – práticas que, muitas vezes, não são nada agradáveis. Por exemplo, em certos ritos da tribo Xavante, os homens abusam das mulheres; no povo Kaidiwéu, ao nascerem gêmeos, esses são mortos asfixiados; em outros povos indígenas é o homem que é levado à dieta do parto quando a mulher ganha a criança. É dessas e de outras práticas estranhas que surge a idéia de que o indígena é um povo atrasado. Nenhuma cultura é ideal em si mesma. Somente Deus, o criador de todas as coisas, é capaz de revelar uma cultura perfeita, que abrigue o homem por completo e responda inteiramente à necessidade do ser humano. Toda cultura deveria estar nivelada à cultura divina. Todos estamos separados por conta das nossas diferenças culturais. Porém, Cristo, o Senhor, e só ele, tem a possibilidade de nos unir, mesmo diante de tantas diferenças. O índio reconhece que existe um ser maior, criador de todas as coisas. Na minha língua, o Terena, temos a palavra ituko’oviti, que quer dizer “Criador”. Mas isso só não basta. Precisamos saber quem é xe’ éxa ituko’ oviti, ou seja, quem é o Filho de Deus, e por que ele veio. Talvez a pergunta crucial seja: Quem, de fato, é o índio? A minha resposta sempre vai ser: O índio é um ser humano como qualquer pessoa do planeta Terra – inteligente, amoroso, criativo, capaz de escolher entre o certo e o errado, e com sede de pôr em prática novas idéias e viver experiências espantosas.

Nos últimos vinte anos, uma série de medidas vem restringindo as atividades dos evangélicos no Brasil. Como se não bastasse, intelectuais e estudiosos com repercussão na mídia têm ajudado a levantar um sentimento hostil pelas frentes missionárias. Esta é a hora das igrejas levantarem a sua voz e agirem positivamente para que o evangelho não seja impedido de adentrar em lugares sem o conhecimento de Cristo. No ano de 1913, começava uma época mar cante na história indígena, momento quando a luz do evangelho clareou a noite em que o povo Terena vivia – a notícia do grande amor de Deus chegou até nós. Vários anciões testificaram que abraçaram logo a mensagem. Os efeitos do evangelho trouxeram muitos benefíci¬os para a tribo, principalmente a conscientização de que todo o homem é criado à imagem e semelhança de Deus.

O povo indígena é também alvo da salvação de Deus. O Deus Criador quer trazer de volta o homem fujão e restaurar a sua amizade com ele. Todo homem, independentemente da cultura a que pertence, precisa resolver seu problema espiritual. E a única maneira de fazer esse acerto é por intermédio do Senhor Jesus Cristo. No Brasil, existem pouco mais de 100 tribos indígenas que ainda não sabem quem é Jesus. Elas precisam, com urgência, conhecer esse nome. Como fazer com que isso se torne uma realidade entre os povos indígenas, quando portas estão sendo fechadas para missionários não indígenas? Por muito tempo, por serem estrangeiros, alguns missionários foram impedidos de atuar entre os indígenas. Hoje em dia, basta se identificar como missionário para se encontrar frente a obstáculos. Deus é soberano. E, de dentro de sua sabedoria, ele levanta outra maneira para que o seu plano possa ser continuado. Coloca de pé os próprios indígenas, a fim de alcançarem outros indígenas. E não existe qualquer lei que possa impedir a ação de um índio em busca de outro índio para Jesus. Temos notícias de que vários irmão indígenas estão formando grupos por entre os igarapés, matas e rios, com a intenção de levar as boas notícias para seus “parentes”.

Ouvi de um cacique que se encontrou com Cristo a seguinte afirmação: “Demorou muito para eu compreender o que o missionário estava falando. Mas quando eu entendi, abracei forte este Jesus, convidando-o para morar dentro de mim. E eu vou fazer tudo o que é necessário para que os meus parentes conheçam a Jesus, o meu Salvador”.

Por muito tempo as igrejas brasileiras permaneceram alienadas das questões indígenas. E todas as informações que lhes chegavam aumentavam cada vez mais essa distância e o desinteresse para com as causas indígenas. Chegou à hora! Vamos abraçar esta causa, para glorificar o Rei dos reis, o Deus Criador!

Por: Henrique Terena é pastor e pertence à tribo Terena. É presidente do Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (CONPLEI) e diretor do Centro de Treinamento Ami, escola teológica que prepara líderes indígenas.

Artigo extraído do livro “Indígenas do Brasil”, Avaliando a Missão da Igreja. Organizador: Ronaldo Lidório – Editora Ultimato

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4 comentários sobre “A cultura indígena e a necessidade do evangelho

  1. Vc são loucos…. deixe-os … eles não precisam de evangelização. .. vcs não respeitam a cultura dos índios, eles vivem muito bem sem a bíblia ou Jesus. .. eles têm sua própria crença. …

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  2. Amo a obra missionária, Deus tem me dado o privilégio de fazer missões entre os indígenas, eu amo muito, faço parte do Projeto Alcançando os não Alcançados.e m minha casa tem duas etnias surui e xavante.

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  3. Sou descendente nata de duas tribos. A Xucuru de Pernambuco e a Funior de Águas Belas Pernambuco. Minha avó Xucuru de tradição de pajés faleceu seum conhecer o evangelho. Minha avó funior de família de cacique Hoje ela conhece Deus e sabe que Jesus é o único Salvador. Meu avô dos Quilombos e filho de quilombolas nato moradores da reserva só praticava a cultura e a religião da umbanda, conheceu Jesus através da minhas tias e vó e faleceu salvo diácono da igreja assembléia de Deus é meu avô João Domingos português nato morador e nascido em Portugal faleceu sem conhecer o evangelho. Eu como sou a pura mulher brasileira e considerada índia conheço o Deus todo poderoso. Que criou os céus, a terra, o mar , o universo. Sei que nos índios temos tradições e culturas, meus tios e primos moram em reserva indígena…. E acredito que todos precisam saber de Jesus. Isso não vai mudar quem somos e de onde viemos. Sou índia e sou Evangélica. O que está no sangue , o que corre nas minhas veias é o índio mais meu coração é de Deus!!!! Parabenizo quem quer evangelizar aos meus parentes…. Isso não quer dizer que eles vão mudar seus costumes…. Vai vão saber como é belo é lindo o nosso Deus!!!!

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