Tome a sua cruz e siga a Cristo sem negá-lo

A cruz tem sido objeto das mais diferentes atitudes por parte de cristãos e de não cristãos.

A maioria dos templos evangélicos não porta cruzes, nem por dentro nem por fora. A maioria dos evangélicos não carrega crucifixos nos pescoços.

No caso do Brasil, os templos evangélicos não têm cruz, porque a liberdade de culto consagrada na Constituição de 1824 proibia que as casas de culto tivessem qualquer forma exterior de templo (incluída a cruz). A ausência não se deve, portanto, a nenhum anticatolicismo, mas a uma imposição católica. A cruz, no entanto, é um símbolo cristão e não pertence a nenhum grupo.

A cruz, que o apóstolo Paulo chama de loucura de Deus por nós e poder de Deus para nossa salvação (1Co 1.18), acabou se tornando um objeto de repulsa, por parte de alguns, e de adoração, por parte de outros.

Nada indica melhor a atitude da repulsa do que a reação, no século 12, dos petrobrussianos e os henriquianos. Pedro de Bruys e Henrique de Lausanne e seus seguidores rejeitavam qualquer veneração de cruzes, chegando a tirá-las dos templos e mesmo a queimá-las, por achá-las incompatíveis com a fé cristã.

Diferentemente, Arthur Blessitt carrega, como forma de testemunho cristão, uma cruz a pé ao redor do mundo. Desde 1969 até outubro de 1999, ele já esteve em todos os continentes, passando por 278 países, 49 dos quais em guerra, e percorrendo 54 mil km com uma cruz, numa caminhada que o Guiness Book considera a mais longa da história.

2. BREVE HISTÓRIA DA CRUZ

Na verdade, o símbolo da cruz antecede o Cristianismo. A cruz suástica (termo sânscrito) já era conhecida na Índia pré-histórica. Os antigos egípcios também conheciam um tipo de cruz, associada à deusa Sekhet. Não era usado para finalidade de punir pessoas.

A cruz, no entanto, passou a ter um significado específico a partir da crucificação de Jesus. Entre os gregos, havia o costume de se pendurar os criminosos em árvores. No entanto, a crucificação era também praticada no caso de bandoleiros. Os romanos “aperfeiçoaram” o “método”, requintando-a com solenidade e crueldade. Era uma forma de castigo específica para escravos condenados por crimes graves. Nas províncias, no entanto, a pena podia ser aplicada a culpados de bandidagem. De qualquer modo, era totalmente proibida a cidadãos romanos, a menos que fossem pobres.

A crucificação de pessoas vivas não era praticada entre os hebreus, para quem a pena capital era o apedrejamento (como no caso de Estêvão — At 7.57,58). No entanto, quando a Palestina caiu sob domínio romano, a cruz foi introduzida como forma de castigo, aplicado a ladrões e malfeitores.

A pena podia ser aplicada nos seguintes casos: assalto, pirataria, sedição, tumulto e falso testemunho. No caso de escravos, uma denúncia por parte do seu senhor (fuga, insulto) era suficiente para a crucificação.

A crucificação era precedida por uma sessão de açoites, após a qual o condenado tinha que carregar a cruz (ou pelo menos a parte de cima) até o lugar da execução, para escárnio e insulto da platéia. No lugar próprio, então, a cruz era levantada. O condenado, inteiramente nu, era amarrado com cordas e depois firmado com três ou quatro pregos à madeira. Algumas cruzes tinham um assento. Por último, um letreiro era afixado com o nome do condenado e seu crime. Os corpos das vítimas eram disputados pelas aves de rapina. Muitas vezes os condenados não morriam logo (de fome ou sede), mas sobreviviam por vários dias. Para abreviar este sofrimento, os judeus costumavam quebrar-lhes as pernas. Os judeus também costumavam permitir que os corpos fossem retirados e enterrados, mas os romanos não o permitiam, a menos que a sentença o determinasse. Este tipo de castigo perdurou até o quarto século. Constantino o aboliu, segundo ele, em memória de Jesus.

Se lermos os quatro Evangelhos, veremos que a crucificação de Jesus seguiu rigorosamente os preceitos legais romanos e práticas judaicas permitidas. As narrativas bíblicas são absolutamente fiéis ao que se conhece a esse respeito na história secular.

Quanto ao uso simbólico, a cruz não tinha nenhum significado que não fosse o original: instrumento de morte., de morte ignominioso. O apóstolo Paulo destacou esta realidade, quando declarou que Jesus, ao se fazer homem, “humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz”(Fp 2.8).

No Novo Testamento a cruz era visto, portanto, essencialmente como o instrumento da morte de Cristo. Quando o Cristianismo se tornou a religião oficial, ela começou a adornar os monumentos públicos. Era usado para “santificar” estes monumentos originariamente pagãos. As formas eram estilizadas. Só a partir do século 8, sua representação passou a ser mais direta. Começou-se até a distribuição de cruzes e lascas de cruzes, algumas das quais chegaram até nós.

Desde então podemos falar num verdadeiro culto à cruz, bem distante do ensino de Jesus e dos apóstolos. Alguns cristãos passaram a considerá-la também um símbolo de proteção e defesa, como se fosse um amuleto, idéia presente na produção e uso de crucifixos, especialmente num país tão animista como o nosso.

3. A NOSSA CRUZ

Há a cruz de Jesus, a cruz que Ele carregou, a cruz em que morreu para que fossem salvos, a cruz que Ele suportou para que nós não tivéssemos que suportá-la.

3.1. O fato da cruz
Pela cruz, Ele nos reconciliou e reconcilia com Deus, porque sua morte matou a inimizade que havia entre o homem e o Pai (Ef 2.16). Na cruz, ele riscou a promissória que havia contra nós, tornando-a sem valor. Este título jamais será protestado contra nós, porque Jesus o cravou na cruz, como escreveu Paulo: e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz; e, tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz (Cl 2.14, 15)

Este é o fato da cruz que os regos consideravam totalmente sem sentido, mas cujo sentido é a vida, para todos quantos aceitam esta oferta de paz.
Este é o significado da cruz.

3.2. O custo da cruz
No texto de Mateus, Jesus acrescenta algo a esta dimensão, ao falar, não da sua, mas da nossa cruz.

3.2.1. O que não é carregar a cruz
Jesus nos convida a carregar a nossa cruz.

Não se trata da cruz da salvação, porque esta é dEle. É a cruz da confissão do seu senhorio sobre nossas vidas.

Não se trata da cruz da autocomiseração. Muitos tomam este desafio de Jesus como se fossem os sofrimentos, privações e provações, que suportamos na vida. Popularmente, podemos ouvimos, diante de alguma situação difícil, geralmente crônica: “Esta é a minha cruz” ou “Cada um tem a sua cruz”. Cruz não é carma. Cruz é compromisso.

3.2.2 O que é carregar a cruz
É outro, pois, o desafio de Jesus. Ele usou a cruz para simbolizar o sofrimento e a morte que seus seguidores deviam estar prontos para padecer, como Ele padeceu.
O sacrifício na cruz precisa ser atualizado na vida de cada um. Esta atualização se dá pela confissão que Jesus é o Salvador (v. 32). Esta confissão significa disposição de carregar a cruz de Cristo. Trata-se de uma expressão simbólica e real.

a) É simbólica porque não podemos voltar no tempo e pegar a cruz e seguir após Cristo rumo ao lugar da execução. Não somos chamados para a morte, mas para a vida, vida crucificada na cruz. Quando nos dispomos a carregar a Cruz, passamos a ter a mente de Cristo. O apóstolo Paulo o disse de outro modo: Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne [no dia-a-dia da vida], vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim (Gl 2.20).

b) É real porque tem um preço, um preço de morte.
Este é o sentido da frase: Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada (v. 34). Seguir a Cristo demanda uma decisão, uma escolha, feita de renúncia e coragem

Coragem de escolher entre os valores de Deus e os valores deste mundo (v. 32). Não há na cruz a possibilidade de seguir os valores do mundo e os valores de Deus. Muitos não pegam a cruz porque não querem renunciar os valores do século. Preferem assistir a procissão de Jesus e seus seguidores, mas nunca fazer parte dela. Preferem assistir um culto a Deus, sem, no entanto, cultuar, adorar, verdadeiramente a Deus. O convite de Jesus é outro; é para você se gloriar, se alegrar, se divertir, tão somente na cruz de Cristo. Ela não exclui as coisas que Deus criou, mas as inclui, porque foi Ele quem as fez para nós.

Coragem de abrir mão das prioridades deste mundo, mesmo que profundamente arraigadas na cultura e na família (v. 34). Jesus não prega contra a cultura nem contra a família. Pelo contrário, ele reafirma a sua indissolubilidade. No entanto, os valores familiares não podem se sobrepuser aos divinos. Muitas pessoas se recusam a confessar a Jesus como Senhor e Salvador por imposição familiar. [Referir anonimamente o caso do Ayrton] Quando, apesar disto, você confessa a Jesus, sua família se torna seu primeiro campo missionário, a qual você irá com paciência e persistência, vivendo e orando para que Deus alcance a todos.

Coragem de renunciar aos projetos autocentrados (v. 39). Desde que nos entendemos por gente, temos sonhos a realizar. Estes sonhos são centrados em nossas visões e nossos desejos. Há pessoas que não têm projetos claros de vida; mas há outros que têm. Em nome desses projetos, são capazes dos maiores sacrifícios. Na caminhada em direção ao alvo, são capazes até de cometer violência. Estes projetos se tornaram deuses em sua vida. Quando Jesus pede que esta pessoa tome a cruz, ela não pode aceitar. Como ficará o meu projeto? Se o projeto for legítimo, Jesus estará nele e vai acompanhar você. Se o projeto não for legítimo, Deus vai inspirá-lo a produzir outro projeto e redirigir sua vida.

4. A DECISÃO

Jesus veio trazer paz. Jesus morreu para nos reconciliar com o Pai, mas Ele não nos pode reconciliar se nós não o queremos. O evangelho não é uma brincadeira de roda. É um compromisso de vida. Um culto não é um show; é uma experiência existencial profunda.

A reconciliação já está posta, mas ela exige reciprocidade. Exige ser aceita. É oferecida a cada um de nós, mas precisa de nosso “sim”.
Esta reciprocidade tem que ser pública (“diante dos homens”). Não é possível haver um seguidor secreto de Jesus. Não há esta de “eu sigo a Jesus no meu coração; ninguém precisa ficar sabendo”. Se sou secreto, é porque Jesus não é um bem tão precioso assim, que valha até pagar “mico” diante do mundo.

Muitos se escondem atrás de alguns sofismas.
. O sofisma da falta de chamada. “O dia em Jesus Cristo tocar no meu coração, eu vou aceitá-lo”. Não. Jesus já tocou no seu coração, quando suportou a cruz por você e por mim. Diga “sim” ao seu convite feito na cruz. Ou você está esperando que Ele morra impossivelmente de novo? Aquele sacrifício foi único. Torne-o único também em sua vida.

. O sofisma da falta de preparo. “Ainda não estou preparado”. Há pessoas que não tomam a cruz por causa do cigarro ou qualquer outro vício. Preferem ser eternamente amigas do Evangelho, visitantes permanentes. Seja forte. Dê um chute no vício e venha para a cruz. O que impede de vir para a cruz?

. O sofisma da falta de tempo. “Não tenho tempo para servir na igreja. Eu quero ser crente e me envolver. Quando eu tiver tempo, então vou servir a Jesus”. Ponha em primeiro lugar na sua vida Aquele que pôs você em primeiro lugar na vida dele, ao ponto de morrer por você.

CONCLUSÃO

Enquanto você não tomar a cruz, você está brincando de seguir a Cristo.
Seja digno de Jesus (v. 37). Disponha-se hoje a tomar a sua cruz e segui-Lo.
Deixe de negá-lo, embora você não admita que o negue. Apresente-se para ser batizado no nome de Jesus. Apresente-se para servir a Ele por meio desta igreja. Não deixe isto para o próximo milênio.


Fonte: CREIO
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